Tem um verso que compõe o ambiente, todas as origens pulsão
no decorrer da memória. O objetivo é seguir caminhando no fluxo sem a previsão
de chegada, estamos indo sem perceber. Enxergar com os ouvidos lhe atribui
outros versos para navegar nesse contexto subverso de todas as teorias
existentes. A volta pertence aos ciclos, seguindo as rotas dos pássaros. Por
camadas vamos compondo a sintonia presente de todos esses sentimentos. Venha em
pensamento quantas vezes for para sabermos o tempo e ter o universo
direcionando em nossos caminhos. Às vezes tem que mudar conforme a situação do
espaço e a mudança do clima para ver tudo acontecer. Não faz mal, todas as
origens pulsão dentro de ti. Chegamos.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Rabiolas - CIA Extraordinários
Programação da Feira do Livro, nesta terça-feira 3 de junho
Espetáculo de Teatro.
Rabiolas.
CIA Extraordinários
http://www.hangarcentrodeconvencoes.com.br/noticias_detalhes.php?nIdNoticia=894
Elenco: Bernard Freire, Clebér Cajun, Evelyn Loyola, Erik, Mônica Gouveia.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Projeto Reator Eterno - Olhar passageiro do centro
A gente vai se
aproximando do centro da cidade e sentido a mudança de todo o espaço na retina
de um olhar distante em que o reflexo da mudança nos deixa em níveis baixos e
altos nesse chão extenso. Parece o
efeito da vida, mas só que jogado nos muros, nas árvores das calçadas que pulam
em barreiras de concretos, nos fios elétricos embolados, nos postes riscados e
nos detalhes em grão que dividem as casas. Tudo se separa em um ordenamento
simultâneo das cores, nas lajotas que desenham um som de silencio e na memoria dos
portões e grades que se misturam ao tempo que nem a rua batida de asfalto e a
areia suspensa nesse ar.
Aqui vemos uma
constelação de chão que nos encobre ao caminhar próximo da calçada maior que o
muro; vamos olhando pra cima dela onde o alto do bode permanece ao
comportamento da cidade e no mesmo lugar frequentado pela movimentação dispersa
desse território que se sustenta no passar dos dias. Por entre as ruas e cores das
casas, por entre as informações que atingem os pensamentos e sentimentos
carregados pelos moradores, o novo e o velho vão se decompondo e crescendo numa
raiz histórica de São Brás. Aqui a árvore erguida em ferro europeu abastece a
condição física desse lugar tal qual um rio de uma região; ela se eterniza nesse
lugar de terra vivido por toda Belém atingido o envelhecimento prolongado do
tempo.
A vida aqui se encobre no
escurecer do dia, no calor por debaixo das mangueiras, no mudar da rotina de
cada hora. O silencio dessa mudança se evapora nos olhares despercebidos das
pessoas e das condições de trabalho de todos os figurantes dessa cena real. A
organização do espaço-tempo desconstrói a realidade, busca sonhos, se move no
avanço ausente da cidade, realiza projeções de um novo centro adepto a capital.
Entre fronteiras periféricas e urbanas essa parte enobrece o rendimento vizinho
e desenha o observar da cidade numa composição de prédios e casas que perdem a
harmonia em lembranças de outros lugares do mundo.
Aqui a estrutura dos
bairros se divide por ruas e conexões de vidas guardadas no casulo familiar que
vivenciamos nesse estado de agora que corre junto às voltas do planeta. O tempo
vai deixando nos lugares o resto das lembranças que as pessoas perdem por
necessidades de viverem e em meio às transformações alguns ainda sustentam os sentimentos
que se atribuem ao comportamento simultâneo do cotidiano. Os espaços vagos
acolhem os matos pelos cantos das paredes e o comercio das calçadas empurra o
sabor em sombras guardadas pelo calor.
Os dias escondem um
segundo centro de um lugar do norte que se propaga por dimensões de chão plano,
abriga o moderno em meio à floresta de pedras e árvores que misturam o
comportamento de São Brás e Fátima na ação passageira de Belém. Nessa
cartografia, a cidade se acolhe em dois bairros disfarçados de detalhes que
complementam cada rua, muda o ambiente e fazem as casas irem esquecendo a
composição do lugar junto aos quintais invisíveis que existe atrás de cada uma.
Nessa paisagem vivenciamos o comportamento absurdo suspenso pelo tempo, pela
memoria e o esquecimento causado pelo fluxo que se fecha na noite entre os
bairros.
Ficha Técnica: http://estudioreator.wixsite.com/reatoreterno/fichatecnica
Reator Eterno: http://estudioreator.wixsite.com/reatoreterno
Imagens:
Ficha Técnica
Direção e coordenação geral
Nando Lima
Performers
Pedro Olaia - Dudu Lobato
Wan Aleixo - Bernard
Freire
Nando Lima - Vandiléia Foro
Entrevistas
Pedro Olaia
Câmera e fotos
Dudu Lobato
Trilha sonora
Armando de Mendonça
Roteiro da performance
Nando Lima - Pedro Olaia
Designer gráfico
Wan Aleixo
Textos site/blog/imprensa
Bernard Freire
Expografia
Nando Lima
Instalação e montagem
Pedro Olaia - Dudu Lobato - Wan
Aleixo - Bernard Freire - Nando Lima
Figurino
Telma Lima
Edição de vídeo
Nando Lima
Montagem de iluminação
Nelson Dantas
Contrarregra
Oiran Rocha
Recepção
Wan Aleixo - Bernard
Freire
Produção e realização
Estúdio REATOR
Agradecimentos moradores dos bairros
de São Brás e Fátima
Abílio Franco
Cincinato Marques Jr
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Performance Individualismo e Comunicação de Massa
Performance realizada na praça Saldanha Marinho, Santa Maria - Rio Grande do Sul, durante o Encontro Nacional dos Estudantes de Arte - Enearte. Outubro 2015. Imagens: Marco Amaral
"A performance se colocaria no limite das artes plástica e das artes cênicas, sendo uma linguagem hibrida que guarda características da primeira enquanto origem e da segunda enquanto finalidade". (COHEN, 1986:30)
Outras imagens feitas no I Encontro dos Estudantes de Arte do ICA - ETDUFPA 2015:
A performance Individualismo e Comunicação de massa parte da pesquisa vivência na rua e faz um levantamento sobre os meios de comunicação de massa que norteiam na sociedade: http://www.corpopalavra.com/2013/05/performance-individualismo-e.html
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Exercício de leitura da cidade como dramaturgia
Belém se acolhe numa mudança de tempo que se desconstrói na passagem da nuvem escura da tarde. É uma extensão de histórias e lembranças que se esconde nos espaços esquecidos pela memória, nos objetos deixados na rua que compõe a cena cotidiana, na modificação da calçada que se parte do dia para a noite.
Entre várias ruas que desenham Belém, recortamos uma pequena parte onde sustentamos nossos pés bem antes do fluxo da Av. Gov. José Malcher existir. Bairro de São Brás e Fátima, dois lugares que se misturaram na enorme modificação da capital da cidade. Aqui as passagens são uma desordem que divide entre três linhas parte da três de maio, nela há um rio bem no fundo que passa por debaixo das casas onde escorrem as lembranças. Logo ao lado o quarteirão da Travessa 14 de Abril entre José Malcher e Magalhães Barata divide o chão extenso entre a periferia e o urbano.
Aqui o barulho da cidade atinge a superfície de um quintal passado que deu lugar a um grande estacionamento encoberto por folhas de Taperebá. Não se houve o som do local, há um embrulhamento de caos após o asfalto permanecer nas beiras das casas. Antes do tempo em que prédios duvidosos e a falta de saneamento geravam os bairros, um valão levava os contornos das lembranças esquecidas como o limo preto até o rio, e que ainda hoje permanece agarrado ao canal da passagem Antônio Nunes.
Nesse deslizar de décadas, os bairros se estruturavam com as vidas moldadas pelo sistema caótico do avanço urbano que empurrava o progresso da cidade em novas paisagens que sustentam Belém até hoje. Aqui o tempo joga com o a estagnação da cidade, as lembranças dos mais antigos desmaterializa o contemporâneo das avenidas que se alimentam dos pedestres e do trânsito cotidiano.
Ainda dá pra sentir a calma no fim da tarde em vários pontos misturados ao silêncio sonoro dos pássaros, onde a movimentação do espaço se agarra ao tempo da cidade. São pontos marcados por uma cruz, que diz muito sobre as assombrações de mulheres-animais que acordam o pensamento dos mais antigos à meia noite.
Tá tudo registrado como um pensamento morto que se esconde no canto da vila, no observar da cruz que diz sobre os pioneiros que ocupavam as primeiras partes da Matinha. Nessa extensão de memoria a poeira baixou e o que se vê nesse embrulhamento é uma plataforma de histórias que desregularizam as ruas junto ao fluxo dos carros que tomaram o lugar do antigo chão de terra. Foi na Domingos com a 03 de maio que o susto marcou a cena atual interpretada por indivíduos da mata. Nas passagens das ruas as placas de “chopp” indicam um alivio ao calor belenense; nesse registro somente o céu assiste tudo mudar.
*texto escrito sobre o olhar dos bairros de Fátima e São Brás para o projeto Reator Eterno do espaço Estúdio Reator, as fotos são de Dudu Lobato
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Olhar da janela
É
um olhar pro lado, do alto da janela, onde as vidas passam sem permanecer. É um
espaço de transição e ao mesmo tempo de trajetórias vindas de outros lugares.
Aqui a terra sustenta presenças, idas e vindas. Silêncio cintilante das
mangueiras. Aqui enterro um pouco de mim. Guardo na lembrança o momento eterno
que passou sem deixar indícios de volta. A essa hora o espaço é vago com um
passar de memória calada. Passos deslizam no caminhar para o outro lado. Ida,
sempre em frente, nunca parado. O tempo leva o sol e o vento passa para nunca
mais voltar, somente no outro dia tudo voltará e esse ar seguirá entrando nos
meus pulmões para a energia da terra me capturar e compor uma pequena parte
dessa imaginação verde encarnada em pedra que me soterrará por entre o mato e a
calçada em ritmos simultâneos de vozes e delírios quentes que arde sem cessar. Tá tudo calado, somente os pássaros cantam; o
transito se manifesta e o dia corre como todos os giros do mundo. Praça da
Republica, lugar que carrega Belém bem mais que muitos lugares. Aqui o chão
fixa o movimento do cotidiano, o verde se mantém presente e compõe a paisagem
com o brilho atingido pelo sol do lado do norte. Me furo na capital, num lugar
soterrado de gente, de esperanças, de sonhos, de um lugar central aberto que te
devora.
Alguns
passam, registram momentos e silenciam na memória o tempo de agora. O fluxo da
cidade corre, recorre, busca entender fatos correntes desse lugar jogado no centro.
Aqui o território luta com o tempo que desconfigura a história de monumentos
singelos. Roubando o olhar, se inundando na sujeira da atmosfera. Tudo muda com
as sombras das nuvens, com o funcionamento de vida que faz tudo funcionar. Cada
grade grita a liberdade, cada estrutura completa a obra que desenha a praça;
ela se sustenta no pó que lhe dá outra forma. Aqui temos um grande chão extenso
de pensamentos artístico aberto ao mundo por poucas palavras. O som do ambiente
é frenético e o grito para no peito sem ter por onde sair. Tudo é sufoco, ausência
de imaginação. De um ponto ao outro temos o levantamento da obra prima escolhida
pelo mundo da terra que não pertence a todos que a habitam, é um lugar no céu de demônios
que tocam em quatro atos frenéticos o apocalipse em sinfonias guaranianas, onde
os índios são engolidos pelo escurecer da floresta desenhada no do teto. Do outro lado há o silêncio barulhento das
ratazanas que se manifestam com o ópio vomitado misturado com a porra
lagrimejada de dias e noites, são ejaculações sôfregas expulsa no centro que
emana todo o espaço sacudindo os mortos que ouvem o desespero contemporâneo de
suas raízes. Há uma linha de chão que divide os dois e no meio dela temos
Marianne caminhando em direção à liberdade, saindo do arcaico e visualizando o
horizonte entre duas árvores petrificadas que a oprimem. Liberdades são brados
constante desse silenciar de tempo. Aqui tudo se faz, é um lugar aberto onde
percorre dores, amores e o ser solto pela terra de pensamentos sujos.
Aqui
os perigos rondam a cena atual, são interpretados por indivíduos deslocados de
algum ponto de Santa Maria do Grão. Medo, sustos, vontades estremas que colocam
os sentimentos pra fora da pele. São jorradas de animais que te devoram no
desperceber soturno da geografia do espaço calado por choros presos aos galhos
das mangueiras. Aqui a rua é um lugar aberto dentro de uma plataforma ausente
da tranquilidade. As partes são despedaçadas, os sujeitos se aconchegam nos
cantos de limos e lama preta. Aqui é preciso deixar a noite passar como o tempo
passa acalmando nossos sentimentos no coração. O respirar é solto e o olhar é a única
capacidade de vivencia desse absurdo. Olhar ao redor, sem se ausentar de si. Sem
deixar de perceber um pequeno ponto aberto na cidade que se desloca da região,
do mundo, do universo. É um bom lugar pra se pensar. Dentro da praça as
histórias seguem sem fim, apenas com começos próximos com indícios de que o
amanhã será eterno. É preciso desemundecer a liberdade em gritos constantes da
terra. Aqui a floresta carrega apenas uma praça e no centro disso tudo o tempo
passa. Atravessamos os labirintos, silenciamos esse pensamento. Aqui a história
continua rodando com o movimento do mundo.
O olhar da janela do ICA surtindo efeito em palavras para o registro memorável de um lugar do alto. Aqui observo o silencio passageiro da Praça da República. Agora os passos são outros. Vamos!
segunda-feira, 27 de junho de 2016
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