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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Dramaturgias de Hilda Hislt são relançadas e ela será homenageada na 16ª Flip


(Hilda Hilst. Foto: Juvenal Pereira / Reprodução)

A obra teatral da poeta Hilda Hilst chega as livrarias em dois volumes lançados pela editora L&PM, que esse ano presenteia os leitores com os excelentes registros da maior dramaturga brasileira. Foram oito peças teatrais escritas entre 1967 e 1969 que marcaram um momento febril e de intensa produção artística de uma escritora em plena ditadura militar, que registrou em ânsias reais uma dramaturgia que toda cena teatral deveria interpretar. As peças de Hislt ultrapassam a leitura formal de um espetáculo, dirige enlouquecidamente uma transição pelo olhar do personagem que expressa o seu sentimento de escritora.

Com ensaio biobibliográfico da escritora Leusa Araújo, o primeiro volume já publicado, traz as peças: O verdugo, As aves da noite,A morte do patriarca e O visitante, que mostra um cenário poético teatral em meio a um conflito familiar entre mãe e filha que disfarçam uma personalidade entre diálogos de cena que evidenciam o posicionamentos da relação familiar. O segundo volume que sairá no segundo semestre, traz as peças: O auto da barca de Camiri, A empresa, O novo sistema e O rato no muro, cuja dramaturgia percorre por pensamentos suspendidos e vivenciados numa casa onde habitam dez mulheres, identificadas somente pelas iniciais de A a I que passam por uma não identificação das personagens e palavras ditas por mulheres que costuram a dramaturgia. 

Seguindo essa fluidez, o texto de Hislt começa a dar uma virada quando transita de uma escrita literária para escrita teatral que surge diante de uma situação de resistência artística no país. Suas peças tornam-se uma mistura do prazer libertário com a poesia pensante exaltada pela consciência das personagens. Destaca-se nos textos,o posicionamento em palavras que a escritora determina na hora de criar seus personagens sem estruturas psicológicas, analisando um desdobramento dos pensamentos que transitam entre o espaço/tempo para a construção da dramaturgia que segue o ritmo da cena vivenciada. Toda a poesia de Hilst é jorrada através de um grito perturbante que foram manifestados em momentos solitários de uma escritora que escancara a própria vida em textos cênicos. Ideias como a morte, Deus, e amor são descritos em meios aos devaneios que surgem diante da criação e do fazer ininterrupto da ação.

(Ilustração de Laura Lannes para a versão em graphic novel de ‘A obscena senhora D’ - Divulgação)

Há nas peças um afogamento em palavras que condiz com uma escrita real por de trás da panada, ela percorre por todo o espaço mantendo a energia que se desdobra em cenas grotescas e rudes aos pensamentos da dramaturga. Ela instigava, desafiava e determina por meio das palavras uma teatrologia observada no acontecimento desse tempo. Os diálogos mantinham a mesma hierarquia onde os personagens ultrapassavam as fronteiras do significado da peça, as cenas se davam em todos os lugares sustentadas pela presença de deus ou do diabo. 

Esse ano a escritora Hilda Hilst será homenageada na 16ª Festa Literária de Paraty (Flip), que acontece de 25 a 29 de julho apresentando a trajetória de uma mulher que não media as palavras. A Feira irá mostrar o olhar artístico de uma escritora contemporânea que registrava um sufocamento da realidade vivenciada no plano ficcional, conectadas aos acontecimentos de sua poética. 

As obras de Hilda Hilst procuram ultrapassar o sentido de nossas vidas, da realidade interpretada por seres que se desgastam em cada lugar. É uma mistura de sensações da escritora, das personagens e de toda dramaturgia que observa o leitor em sua própria identificação. Hislt, sabia contar as palavras sem as máscaras que as encobre, desnuda as letras e constrói uma imaginação que triangula entre escritora, obra e leitor; dilacerando o corpo diante de uma encenação que o teatro deve buscar em suas palavras. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Caderno


Projeto de Pesquisa: https://prezi.com/1t2ss8r-3uwv/present/?auth_key=h1kurhb&follow=xnht8dl5djdj

Cartografando o Processo de Criação:
Se dá na imaginação, Silêncio para a mente poder compreender, lugar calmo, abismo, fim do mundo, todas as coisas que me deixam em criação, escrever/fotografar, anotar/filmar, ler, gritar, agir, atuar, riscar, propor outro dialogo com o mundo, contar o problema pra alguém.

Incidentes: 
3) 

Referencias

BARTHES, Roland. Incidentes. São Paulo : Martins Fontes, 2004. (Coleção Roland Barthes)

BERGSON. Henri. A intuição como método . In: Memória e vida. São Paulo, Martins Fontes, 2006.

COLLA, Ana Cristina. Caminhante, não há caminhos. Só rastros. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2013. 

DELEUZE, Gilles. O ato criador . In: Dois regimes de Loucos. São Paulo: 2016. Ed. 34.

DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 1 / Gilles Deleuze, Félix Guatarri; tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2a edição). 128 p. 

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência / Pierre Lévy; tradução de Carlos Irineu da Costa. – Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993, 208 p. (Coleção TRANS) 

LIMA, Wladilene de Sousa. A nascente da rede teatro d@ floresta. PROJETO DA REDE TEATRO D@ FLORESTA, 23 jun. 2009. Disponível em: http://teatrodafloresta.blogspot.com.br/2009/06/blogs-dos-artistas-da-cena-da-rede.html Aceso em: 04/10/ 2016. 

MATUCK, Arthur; ANTONIO, Jorge Luiz. Arte Mídia e cultura digital / Arthur Matuck, Jorge Luiz Antonio [organizadores]. - São Paulo: Musa Editora, 2008. 

SANTAELLA, Lúcia. Por que as comunicações e as artes estão convergindo? São Paulo: Paulus, 2005. 

TELLES, Narciso. Pesquisa em artes cênicas: textos e temas / Narciso Telles, organizador. – Rio de Janeiro: E-papers, 2012. 


PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.). Pista do método da cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. 

NIETZSCHE, Friedrich. Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral . imediata.org/asav/nietzsche_verdade_mentira.pdf-tradução de Noeli Correia 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Espetáculo Deixa-me Ser Tambor


Deixa-me ser tambor! Deixa-me ser a mão que faz ecoar o rufar de minha ancestralidade. Deixa-me curtir o couro cru no tronco da raiz de minha terra; Permita-me ser o ritmo que liberta, a preta cor da alma que dança, o cheiro do suor que embriaga, a guia de contas e de lágrimas que me alimenta... Oh senhores! Oh senhoras! Eu quero! Eu necessito! Deixa-me Ser Tambor!

A Associação Cultural e Esportiva de Negros e Afrodescendentes da Amazônia – ACENA faz de seu mais novo espetáculo, intitulado DEIXA-ME SER TAMBOR, uma ode em busca da liberdade plena, da autoafirmação, e do empoderamento da raça negra, e da cultura de matriz africana. Com um texto e direção de Harles Oliveira, Deixa-me Ser Tambor traz uma releitura, dramático-poética, que tem como base as obras de dois escritores e poetas negros, Bruno de Menezes e José Craveirinha. De Bruno de Menezes, principal representante da escola modernista no Pará, abordar-se-á o universo afro amazônico, a cultura, e a religiosidade dos negros escravizados na Belém de outrora, presentes no livro Batuque. Da obra de José Craveirinha, natural de Moçambique, considerado como um dos mais reconhecidos poetas da língua portuguesa, e um dos maiores escritores africanos, far-se-á uma narrativa inspirada nos conflitos existenciais, vivenciados pelos negros na sociedade universal contemporânea, presente na poesia Eu Quero Ser Tambor. O presente projeto foi contemplado pelo Programa Seiva, através do Prêmio Produção e Difusão Artística – 2016, da Fundação Cultural do Estado do Pará. 

Deixa-me Ser Tambor é um projeto premiado pelo 4º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, que é uma iniciativa realizada pelo CADON - Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves. Este projeto tem o patrocínio da Petrobrás, a produção é da ACena, e tem parcerias da Fundação Cultural Palmares e do Governo Federal.

SERVIÇO
Este projeto foi vencedor do IV Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro Brasileiras (IV PRÊMIO AFRO - 2017), na categoria de artes cênicas, representando a região norte.
Realização: ACENA
Texto e Direção: Harles Oliveira                                                      
Produção: Francisco Tapajós
Local: Teatro Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel, esquina da D. Romualdo de Seixas)
Dias: 28 e 29.10.17 (sessões às 18h e 20h)
Ingressos: R$20,00 (estudante paga meia)

EVENTO DO ESPETACULO https://goo.gl/DQSSgz


FICHA TECNICA

terça-feira, 16 de maio de 2017

Espetáculo SEREN(A)IDADE - Coletivo Saias de Maria


O espetáculo SEREN(A)IDADE busca mostrar a efemeridade da juventude sentida com a chegada da velhice e suas reflexões sobre o que foi feito ou deixado para depois, trazendo em sua narrativa poética uma Maria dentre tantas, nascida longe da cidade grande, lá na vila de Maiuatá Interior de Igarapé- Miri. Sua identidade é marcada pelo nome forte dado por sua mãe em promessa a São Miguel Arcanjo. Maria Miguel foi irmã e mãe de seus cinco irmãos, mas ela queria o palco, porém seu destino a enveredou por outros caminhos que a levaram a mergulhar numa realidade cruel, poética, feliz e triste de amores, nostalgias e sonhos.  Maria vivência uma história surpreendente, que será encenada pelas sementes que a mesma plantou. No palco três mulheres de gerações diferentes que se reúnem para contar, cantar e dançar a vida de uma Maria que hoje caminha na estrada da serenidade. No elenco Marília Araujo, Marluce Araujo e Marileia Aguiar. Venha se emocionar.  EVOÉ!

FICHA TÉCNICA:
Elenco: Marileia Aguiar, Marília Araújo e Marluce Araújo
Direção: Coletivo Saias de Maria
Criação e figurino: Coletivo Saias de Maria
Equipe de Produção: Coletivo Saias de Maria,  Mônica Gouveia e Bernard Freire
Músico: Alê Nogueira
Iluminação: Malú Rabelo
Preparação Corporal: Débora Nobre

Serviço:
Única apresentação às 20h00, no dia 31 de Maio ( quarta feira)
Ingressos R$20,00 com meia R$10,00. ( A venda na bilheteria do teatro no dia de apresentação a partir das 10h)
Venda de ingressos antecipadamente ou reservados pelo Fone e zap: 98268- 3707 e 98350-4696

Classificação:Livre                                                                
Maiores informações pelos telefones: (91) 98268-3707/ 98350- 4696/ 98293- 8316
Realização:Prêmio SEIVA Edital Pauta Livre 2017 da Fundação Cultural do Pará. Apoio ÔPA Impressão e Propaganda, Gráfica Metrópole e Débora Treinamento Físico e Consultoria. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

7º Tamborimbó! ACena


"Permita-se ser o ritmo que liberta, a preta cor da alma que dança!"

Dando continuidade à sua programação anual a ACena - Associação Cultural e Esportiva dos Negros da Amazônia realizará, no dia 21 de Maio, Domingo, a partir das 13h, na sua sede (Conj. Maguari, Alameda Dezenove, n.14 ) a sétima versão do seu afamado Tamborimbó. O Tamborimbó é uma roda de tambor e carimbó, um espaço de resistência, onde grupos musicais e artistas populares mostram a sua arte confraternizando-se entre si. Um palco que agrega todos os ritmos dos tambores, em seus diversos formatos: o curimbó, representando a musicalidade regional através dos ritmos do carimbó, lundu, xote, toada de boi; o atabaque, representando a música afro através do axé, afoxé e música de terreiro; e os surdos e tamborins, trazendo o samba de raiz para coroar esse grande encontro de artistas da cultura popular paraense, e da cultura afro brasileira. Dessa maneira a ACENA continua assumindo o seu compromisso de promover o resgate e o fortalecimento dos ritmos afro amazônicos, bem como de proporcionar cultura e lazer com responsabilidade social. Na ocasião os nossos tambores farão uma cantoria a São Benedito, o padroeiro de nossa entidade. Importante frisar que somos uma entidade sem fins lucrativos, e, portanto, todos os nossos eventos apresentam uma função social. E o Tamborimbó não foge à regra... Diante desse contexto, para a realização desse evento estabelecem-se parcerias com grupos musicais, onde todos, de alguma forma, contribuem para o arrecadamento de alimentos não perecíveis para serem doados a associações de caridade no Estado do Pará. Então, ponha o seu turbante, ou flores no cabelo; o seu colar de sementes, ou de contas... traga o seu axé, e a sua luz, e venha tamborimbolar com a gente!!!

Quem vai fazer parte?
Alcyr Guimarães, Cristina Matos, Afoxé Italemi, Grupo Caldo de Turu, Banda Carimbó da Maria, Coletivo cultural ACena, Grupo Pai D'égua, Grupo Sabor Marajoara.

SERVIÇO: entrada é R$5,00 + 1Kg de alimento não perecível.É importante lembrar que os alimentos arrecadados no 7º Tamborimbó da #ACena serão integralmente doados para associações de caridade!

Presidente da ACena ( Harles Oliveira )

Produtores culturais ( Francisco Tapajós e Richard Callefa )

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O atropelamento Quatrúpedes entre risos e choros

Montagem Teatral: Quem não deve não temer Grupo Quatrúpedes de Teatro.

“Proibi o uso do nariz vermelho só pelo fato dele ser ‘vermelho’? Hora, me poupe. FORA TEMER!”

Com a ideia de mostrar a expressão teatral através da arte da palhaçaria, o Grupo Quatrúpedes de Teatro sai atropelando realidades referentes ao Brasil e sua política atual. O espetáculo Quem não deve não Temer, é a primeira montagem do grupo que aparece em cena tirando sarro e se permitindo arrancar do público risos e choros. Mostrando um retrato da sociedade e a importância de resolver a cena em meio à crise política presente no país, o espetáculo bagunça as informações e pisa na sensação de perda dos direitos, nos fichando como criminosos que vivem da imaginação de se viver. A interpretação persegue os argumentos que os palhaços Tito e Fiapo colocam em cena, movendo o jogo de ignorância do outro e a surpresa que temos ao encontrar o inesperado.

Entre músicas e histórias, o espetáculo revela por meio de mensagens o que não podemos deixar de acreditar, descobrindo identidades e características entre o público que participa desse acontecimento contracenando com a história de nossas vidas. Se encaixando nos buracos cotidianos do palco onde os palhaços se perdem brincando ao recontar o que acabamos de esquecer. É rindo que os palhaços erram, é se distraindo que acordamos para entender o absurdo em que nos metemos. A narrativa contada entre os palhaços e o público, diz o que não queríamos acreditar em pleno século XXI, quando somos puxados pela história que nos fazem chorar de verdade. Mas afinal, não era pra rir?

Demonstrar alegria e prazer em meio à palhaçada a qual estou participando não é a única forma de atuar. Quero atropelar os sentidos que o palco me permite, mudar o entendimento que nos fazem acreditar, tirar de dentro da caixa sonhos que podemos ter acordados, ser cara de pau e roubar além do riso os pertences que tomamos emprestados para mudar de lugar. O palhaço rir muito quando estamos na merda, devemos ser ele. Temos que perder não perdendo, ampliar nossa capacidade de argumentos, ser palhaço e dar cara a tapa para a posição social que está imposta por um representante que não nos representa. Colocar o nariz vermelho não é brincar, é torna real o que acreditamos. Sumir para outro plano que pertence a paz do descanso e voltar na alegria de ser a gente. O que tá do outro lado do espelho não é a gente, é o retrato social de um país que perde a vontade de acreditar na realidade, viajando nas bolhas da imaginação que é mais real.

Temos que dar fim ao espetáculo político, se levantar perante o sistema e romper laços que nos amarram. É preciso rir de nossas verdades que mostram outro lugar para viver, perceber que tudo tá errado e que continuamos acreditando no que é nosso. Temos que nos fazermos de palhaço para quem quer nos fazer de palhaços. Puxar o tapete e revelar verdades, sonhos e denunciar o absurdo. Sair atropelando em mil patadas uma representação impostada que nos rouba a essência de fazermos nossa arte. Ser atrevido, brigar por risos, acreditar que tudo não passa de uma encenação e atuar a nossa mentira verdadeira. Sair da caixa e acabar se esbarrando com outras possibilidades que nos conduzem para grandes perspectivas, ser tudo e ao mesmo tempo quase nada, ser o outro e eu na mesma situação. Atravessar a corda bamba e romper o silêncio, afinal Quem não deve não temer!