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terça-feira, 12 de abril de 2016

RESUMO

Este resumo trata da monografia de conclusão do Curso de Licenciatura Plena em Teatro na UFPA sobre o título “Trajetória de Mim em Diário de Bordo: cartografia poética de formação de um artista-professor-pesquisador em teatro na ETDUFPA/ICA/UFPA”. A monografia, sob orientação da Profª Drª. Wladilene de Sousa Lima, mostra o trajeto da minha formação como artista-professor-pesquisador, apresentada em formato de blog, disponibilizado na web. Toda a minha escrita parte dos processos vividos em sala de aula e vai para além dos muros da universidade, com o desejo de revelar as multiplicidades desse dispositivo no processo ensino/aprendizagem da minha criação e projetar o desdobramentos, em obras e reflexões críticas, de postagem indutoras à novas criações.


DEDICATÓRIA e AGRADECIMENTOS

Dedicado: ...à Deus, a imaginação e ao mundo.

Agradecimentos: ao casulo da família, ao meu pensamento artístico por vocação, aos lugares artísticos: antigo grupo de teatro e coro cênico da UNAMA, A Casa da Atriz, A Casa Dirigível, as ruas e calçadas e aos pontos de arte e comunicação de saber, aos grupos e extensões que me direcionaram a esse fazer teatral. A turma de Teatro 2012 (Travestruzes, Disney, Ratas); aos coletivos: ENECOS e Vamos à Luta; aos amigos artistas dessa cidade de Belém. Aos amigos: Tiago Júlio, Cléber Cajun, Mônica Gouveia, Rogério Guimarães, Adriano Abbade, Raynéia Machado, Júlio Miragaia, Evelyn Loyla. A toda forma de se viver nesse mundo, aos passos lentos, as ocupações, aos livros, as rodas de conversas nos bares, ao silêncio sonoro, aos momentos de produção e conhecimento de cada tempo, a juventude, as artes invisíveis, aos projetos que apareceram nesses anos de curso, ao ENEARTE, as aventuras que se tornaram histórias memoráveis. A Magaly Caldas pelo companheirismo, ensinamento e ideias sobre a geografia do mundo. As raízes de pensamentos que se firmaram nos caminhos da pesquisa.  Aos blogs:

Teatro Cláudio Barradas - http://teatrobarradas.blogspot.com.br/
Rhuanne Pereira - http://www.rhuanytta.com/
Blog Psicodélica Imaginária ¬- http://psicodeliaimaginaria.blogspot.com.br/
Instituto de Ciência das Artes/ICA/UFPA - http://www.ica.ufpa.br/
Douglas Cirqueira - http://douglascirqueira.wix.com/

As viagens, a vida universitária, as pesquisas e desbravamento dos dias, aos amores que davam a real importância de viver o ciclo acadêmico. A ação, a modificação dos dias, a mudança por passos lentos, ao espaço visto da janela, aos cantos, a vida acadêmica e expressões de conhecimentos, aos professores que toparam a proposta da pesquisa, ao destino que se segue agora, a revolução da arte, da vida, ao esgotamento da mente, corpo, liberdade do ser, a catarse, a tudo isso aqui agora. 


EPÍGRAFE

“Sejam quais foram as motivações pessoais que o trouxeram ao teatro, agora que você exerce esta profissão, você deve encontrar um sentido que vá além de sua pessoa, que o confronte socialmente com os outros”. 
Eugênio Barba. Além das ilhas flutuantes, 1991


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

COLLA, Ana Cristina. Caminhante, não há caminhos. Só rastros. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2013.

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
______.  A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
______. A formação do espírito cientifico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de janeiro: Contraponto, 1996.

DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 1 / Gilles Deleuze, Félix Guatarri; tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição). 128 p.

BARBA, Eugênio. A terra de cinzas e diamantes. Perpectiva: 2006.

BARROS, Manoel. Poesia completa. Editora Leya: 2015.

RUBIM, Albino. Quatro anos de que? Artigo apresentado no I Seminário Nacional de Qualidade de Ensino em Comunicação, ENECOS. Brasília-UnB, 1995.

PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.) Pista do método da cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

CARVALHO, Age de. ROR: 1980-1990 / Age de Carvalho. São Paulo: Duas Cidades,Secretária do Estado da Cultura, 1990. (Coleção Claro Enigma)


LIMA, Wladilene de Sousa. A nascente da rede teatro d@ floresta. PROJETO DA REDE TEATRO D@ FLORESTA, 23 jun. 2009. Disponível em: < >. http://teatrodafloresta.blogspot.com.br/2009/06/blogs-dos-artistas-da-cena-da-rede.html> . Aceso em: 01 abr. 2016.


>>>TCC AQUI<<<

Nascente hipermidiática

A integração de diferentes linguagens artísticas busca uma significação única; nascem informações em cada ponto que nos levam a novos processos de aprendizagem. Vivenciamos acontecimentos da geografia a qual estamos inseridos, somos homens-uno de uma totalidade, composição de conhecimentos que crescem com novas coordenadas. Construímos registro da essência que invade nossos poros, transpiramos com o ar que nos cerca. Somos levados pela web e deixamos rastros de nossa concepção de individuo.

A cartografia artística digital implica processos de um acontecimento que vai registrando uma tomada de ideias para o conjunto de pensamentos que se transfiguram com a cena local. É com essa cartografia que temos que nos emocionar. Tudo vai passar, acabar, mas o registro ficará. O blog vem como um apoio para esse pensamento que emerge do saber-fazer, ele implode formatos, nos livra dos automatismos culturais e acadêmicos, se torna um órgão, um corpo virtual em rede jogada no espaço.

Nesse sentido, posso dizer que as ideias que me passam são as de atravessar nessa nascente hipermidiática e compartilhar os vários meios de informações que estiver me chegando numa reciprocidade. Ser o meio no conjunto e desbravar os conhecimentos criados por diferentes artistas. O blog me dá esse suporte, quebra a forma da escrita lógica, dá um novo sentido e avalia o desempenho da pesquisa. Nele procuro adaptar a cena efêmera que surge em processos criativos, buscando um novo olhar para a produção contemporânea.

O debate e questionamento que busco alcançar se dá em novas formas de contribuição artística. O campo hipermidiático é uma função para a produção profissional que muda de acordo com o que está sendo criado. Coloca o blog como um instrumento transgressor que contribui na criação da obra, nos dá a resposta que procuramos dando continuidade à linha de pesquisa. Avança no conhecimento mantendo as raízes do que se estar fazendo.

Nesse sentido observo que é preciso quebrar com a forma que nos é colocada sistematicamente. É preciso encontrar um meio que nos leva ao objetivo que se está construindo, problematizando a forma permanente das coisas. Mudar radicalmente todos os sentidos entendido até então, levar o objeto pra além da linha que é vista. Ampliar o campo hipermidiático com as criações produzidas que não são vistas socialmente. Buscar cavar no fundo do quintal amazônico o osso que falta para compor o esqueleto do pensamento que nós artistas estamos definindo.

Temos que ver o amanhã com os olhares deixados pelos rastros hipermidiáticos, visualizar a camada que nos cerca, concretizar os sentidos de um novo olhar que surge em cada ponto criativo. Conectar-nos nessa rede rizomática de saberes, juntar os conhecimentos, multiplicar o formato. Temos que nos adaptar ao novo e revolucionar nossas produções, o que vivenciamos durante a descoberta de saberes que surgem do agora.


Seguir esse caminho é o desafio lançado pelos pensamentos da vida artística que respiro. É preciso fazer agora os passos que fazem o mundo girar, aqui a cortina se fecha para montarmos o cenário para a próxima apresentação, o silêncio da coxia agora grita por todo o espaço nesse final de espetáculo. O ciclo se encerra para a montagem de uma nova temporada, a trajetória continua no passar do dia, no nascer do sol que trará novas vidas. Tenho na minha mochila sonhos, vontades de me aventurar e fazer o que me dá prazer. Por mais que eu escape e o momento me sufoque, acharei lugar para respirar e encontrar a liberdade de viver o que realmente sou: artista-professor-pesquisador. Evoé!

>>>Continuar<<<

UM QUINTAL PARA O FUTURO

"Vagarei pela inexistência da cidade,
por sobre os telhados,
sobre a vida que transpira na pele da idade
dos meus 20 anos
de poeta,
de aprendiz
de arquiteto,
menino de sonho
e ossos no universo de um quintal do Norte.
[...] Outro universo, diverso,
os quintais da cidade
de cercas paredes e muros: geografia escolar.
[...] Todos, contudo, quintais do homem.
Pois, o mundo é grande,
o quintal é grande."
(Os Quintais, Arquitetura dos Ossos, Age de Carvalho, 1990)

Submeter todo o conhecimento adquirido nesses anos de formação e construir um caminho a seguir para novas produções futuras. Guardar toda a experiência vivida no coração para que no dia de amanhã renasça uma esperança de uma ideia de saberes. Ser conduzido pelas produções e pesquisas elaboradas na minha trajetória de artista-professor-pesquisador na universidade e percorrer por entre os pensamentos existentes na cidade, na Amazônia e nos lugares onde o vislumbramento da poesia me tocar.

Basear-me nos sentidos, na cartografia permanente do meu ser. Levar através dos métodos adquiridos a importância do teatro. Trilhar, mapear e vir a ser os pensamentos que me transbordarem. Deixar a prática narrativa e seguir o percurso da criação artística onde eu estiver presente, amarrar novas ideias e sustenta-las no blog como fonte de referencias para a conexão com novas linguagens de consentimento artístico e social.

Transfigurarei-me em novas imagens para me adaptar ao cotidiano, ao mercado sistemático de produção. Irei buscar novas fontes para tentar entender como funciona o mecanismo; conectar-me-ei com os grupos, artistas, instituições, escolas, comunidades e pessoas que transpiram um novo movimento da atual conjuntura social. Ser um raciocínio que dialogue com outras produções e contribuir com o jogo que a vida lá fora pede.

As ideias de um futuro melhor chegam a mim nessa conclusão de um ciclo acadêmico, quero ter forças para concretizara-las. Tenho motivações de continuar os rastros da pesquisa no avanço acadêmico, numa pós-graduação, mestrado, doutorado e o que a educação teatral me servir como fonte de sobrevivência nesse planeta. Agora estou conectado em rede, em uma plataforma que sustenta as minhas criações, obras teatrais, a minha vida artística presente que servirá como referencias para gerações futuras a mim:

A prática narrativa sobre processos de criação é híbrida na sua formatação: histórias de vida, memórias, diários de trabalho ou de bordo, autobiografias e, contemporaneamente, sites, blogs e biomídias. Mas é, hipoteticamente única, em seus princípios: vencer a natureza efêmera da cena, compreendendo-a em seu processo de criação, como um legado artístico para as futuras gerações de criadores - Wlad Lima. Postagem: A nascente da rede teatro d@floresta (Blog Teatro da Floresta 23/06/2009).

Com essa grande referencia, se não rastro deixado por Wlad Lima, é que busquei firmar-me como pesquisador e aplicar no meu trabalho de conclusão de curso os fundamentos e a importância de se criar registros e sustenta-las em um blog. Wlad esteve presente no meu ingresso no curso, foi com ela que tive a primeira aula em que foi me apresentado à proposta de criação de um blog para se ter como ponto de apoio e registrar o processo vivenciado durante a formação. Recebia dela concelhos, puxões de orelha e um olhar que já me transmitia a ação do jogo da cena teatral. Parto de sua grande referencia de pesquisadora em teatro para dá continuidade nesse saber-fazer amazônico, nessa floresta de encantamento em que o meu coração grita a existência de um ser que respira essa fonte.

O material produzido está publicado em rede, sãos pistas[1] que dão norte a pesquisa, multiplica sentidos futuros, traz a tona a construção do ser, busca informações que a complementam no progresso da produção. Encaixa o pensamento na formação de conteúdos, no progresso de um profissional em teatro. Faz o raciocínio se manter em conexão com a experiência vivida, procura analisar os fatos que vem a acontecer cotidianamente na elaboração de novos trabalhos artístico.

Um quintal para o futuro é atravessar e se desafiar. Buscar ultrapassar com um objetivo. Fazer o traço e partir em caminhos. Se dividir, multiplicar, fechar. Achar o caminho que te traga pra dentro da terra. Se manter no ponto de apoio da pesquisa, no saber-fazer teatral da minha região, falar sobre o teatro que tá acontecendo atualmente aqui. Desbravar o universo de um quintal do Norte. Mostrar uma rede de comunicação com artistas da cidade, uma mobilização artística que dialoga sobre o saber-fazer teatral contemporâneo. Expressar na mídia a ludicidade das histórias de vidas, de sentimentos coletivos e deixar registrado como história da produção humana espetacular.




[1] As pistas que guiam o cartógrafos são como referencias que ocorrem para a manutenção de uma atitude de abertura ao que vai se produzindo e de calibragem do caminhar no próprio percurso da pesquisa – o hódos-metá da pesquisa.

Pesquisar ou viver?

Não se pode separa as unidades, as duas coisas estão na passagem do dia. Ganha-se, perde-se. A produção do conhecimento e de novas formas de evoluir o mundo corre com o tempo de nossas vidas, seguimos com os passos de nossas experiências. Amadurecemos com cada informação, buscamos relacionar a pesquisa e a vida para adaptar todos os meios que fazem as coisas funcionarem.

Na pesquisa em teatro tudo joga de acordo com um caminho futuro que se conecta a trajetória percorrida. Tudo influencia, o percurso das linguagens se transforma em um plano de consistência da produção acadêmica. A ideia se torna visível quando colocamos em prática toda a situação que percorremos. Pesquisar é viver, viver é pesquisar. Quando temos o impulso certo acreditamos no que tornamos real e vamos mantendo o seu caminho. Temos que fazer a coisa acontecer, produzir com o conjunto, juntar todas as formas pra readaptação do que estamos fazendo.

O trajeto precisa fluir de acordo com a adaptação do corpo no processo. Ir no tempo da pulsação do curso, no tempo do espetáculo, nas forças de ligações de sentidos. Na tua concepção de escolha no destino, na vida pessoal, na tua trajetória e nas coisas que acreditamos pra nossa própria existência de artista-professor-pesquisador:


Aqui me apresentei como homem de teatro. Tenho o construir nas minhas mãos, o silêncio como entendimento e a vivencia como esperança. Me relacionei com autores que compartilharam a mesma sintonia de vida na que divago. Vivenciei na rua, na caixa preta, espaço experimental e no meu intimo. Só para ter o outro olhar. Atuo em qualquer parte. Performo entre paredes a céu aberto.  Reconto histórias, me perco no processo, paro de funcionar. Tento fazer alguma coisa de útil na minha vida. Faço arte. Cresço. Evoluo. Prossigo. Avanço. Conquisto. Postagem: Congratulações (Blog Corpo Palavra 30/03/2015).


A viagem do capitão tornado

A viagem do capitão tornado[1]

Algumas vezes, pode ter sentido confrontar uma teoria com uma biografia. Na minha viagem pelas culturas, cresceu uma sensorialidade e aguçou-se um estar alerta, que me guiaram na profissão. O teatro me permite não pertencer a nenhum lugar, não estar ancorado a uma só perspectiva e permanecer em transição (BARBA, 2009, p 24).

Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísica do Atuante - GITA; Núcleo de Produção e Audiovisual - NUPA; Projeto de extensão Tribuna do Cretino; Grupo de Estudo, Pesquisa e Experimentação em Teatro e Universidade - GEPETU; Grupo de Pesquisa e Extensão Inquietações: arte, saúde e educação; Arte em Movimento - Escola de aplicação da UFPA, Grupo de Teatro Universitário - GTU. Foram tantos projetos aos quais participei na universidade que registrei os detalhes no meu ponto de apoio: http://www.corpopalavra.com. As lembranças encaixotadas na memória derramam sentidos de emoções. O que foi vivido desdobra meus pensamentos em multiplicidades e me empurra para um lugar onde sempre me sinto estrangeiro:





Participar de projetos de pesquisas e extensão enriquecia minha criatividade, construía uma forma de ensinar. Me dilatava em processos de conhecimentos que se inquietavam dentro de mim me fazendo seguir em novas coordenadas. Produzia ideias referentes ao meu aprendizado, escrevia sobre teatro e publicava as minhas organizações de pensamentos cênicos. Desenvolvi atividades administrativas na Assessoria de Comunicação da UFPA, na Coordenação de Produção e Comunicação do ICA, em projetos pessoais fora da universidade que tinham sempre o aprendizado, que obtive no curso, como indutor. Tudo se juntou com a minha experiência e formou caminhos que tenho guardado na minha mochila.

Na universidade me juntei com estudantes de outros cursos para formarmos um conhecimento que atingisse a comunidade fora da academia, trabalhávamos o que aprendíamos em sala e descobríamos fontes diferentes do ensino superior. O processo de formação junto à sociedade nos coloca em percepção de nossos caminhos pertencente a nossa vida, abrindo um leque de referencias que estavam lá antes de entrarmos na universidade.

Quando eu me via no meio do destino a minha localização me atravessava: ETDUFPA/ICA/UFPA. Fui mais além da onde partir: me aventurei pelos encontros estudantis onde a minha linha me conectava a outras áreas de conhecimentos e fui percebendo o viver universidade. A energia era viva, sentia a vibração de todos os tipos de informações e o meu corpo se modificava com o vento, com o som, as plantas, o mapeamento geográfico de onde me localizava. Meus olhos ativavam meus pensamentos e me alimentava de todas as coisas que a minha percepção háptica[2] obtinha na minha trajetória de formando. Trazia pra dentro do curso aplicar a informação obtida, continuava na escrita um registro do pensamento poético teatral. Desenvolvia métodos, pistas que me levassem ao entendimento da minha trajetória nesses “cinco” anos de curso, entender o construía e desconstruía, ampliava minhas referencias e buscava me materializar das palavras, das cores, dos movimentos, do visual, da história, dos objetos e das coisas que o mundo me apresentava. Meu coração estourava numa dimensão em querer ter todos os meus desejos. Estava conhecendo a mim mesmo.

Em busca do conhecimento viajei através de trabalhos aprovados e participei em três edições do Encontro Nacional dos Estudantes de Arte – ENEARTE. Foram três anos de descobertas onde encontrei um meio de diversidades artísticas reunidos num único local. O compartilhamento de ideias cruzava uma nova possibilidade em discutir a nossa geração de artistas que construía o tempo real da vivencia de nossos cursos. Debatíamos nossas grades curriculares em que percebíamos as conquistas, as falhas e os meios de criações; um novo movimento que a arte modificava em sua linguagem hibrida. Entre oficinas e grupos de discussões avançávamos no conhecimento em transgredir a arte em nossas universidades alcançando as linhas de pesquisas. Viver cada encontro influenciava no meu aprendizado, no fazer teatro que me dava obrigação de ser politico em sustentar a minha formação.






Um encontro de estudantes mostra a essência que desperta em nosso amadurecimento profissional. É como se fosse um puxão de orelha do diretor na coxia do teatro enquanto o espetáculo não vai bem. São várias descobertas que guardamos para aplicar em nossa profissionalização. O incrível era perceber que os cursos mesmo em Estado diferentes tinham as mesmas problemáticas que existe em qualquer área de conhecimento. Estávamos sempre em confronto com o raciocínio lógico que a realidade nos apresentava. Era a partir disso que criávamos sonhos; registro momentâneo daquela vivencia. Conhecer os Institutos de Artes de outras universidades me colocava em querer dominar todo o espaço e receber o que a minha percepção me inseria naqueles momentos:

Me transporto para uma nova cena cultural onde o invisível visto adentram aos meus olhos. Sinto energia de luz, camadas de pensamentos, casas moventes, sintonia de reflexões. Escapo por entre ruas; pela ponta da caneta. Ganho o mundo numa folha. Solto ar, codifico a mim mesmo em relação ao globo (BERNARD, 2015).



Imagem 13: Diário de Bordo, ENEARTE 2015


Tudo se transformava num grande espetáculo e guardava comigo o cenário, os atores/atrizes, a iluminação, a maquiagem, os figurinos e adereços, a encenação que se colocava na experiência da realidade. Nem sei como descrever, mas se colocarmos as ideias diante da nossa realidade, tudo está visível diante da gente. Quando me lembro dessa vivencia, trago a tona o óbvio aglutinado na minha memória que servirá de material em outras experiências.

Para Ana Cristina Collar, atriz do Lume[3], a trajetória se dá por meio de sentidos a qual o corpo se insere percebendo os detalhes que modificam a reflexão do novo. Tudo está vivo para ser experimentado, vamos guardando nossas experiências e mapeando o caminho percorrido para sempre darmos um novo sentido a eles:

Busco, assim, na memória viva impressa no meu corpo, a matéria para a construção da minha arte. Considero meu corpo como um espaço condensado, uma experiência viva em fluxo constante de atualização consigo e com o meio poroso, permeável. Ele sou eu e eu sou ele, não como meu receptáculo, por onde pairo ou me aprisiono ou me liberto, não como força distintas em parceria, mas como unicidade múltipla (COLLA, 2013).

Desde a entrada na universidade tudo foi se registrando em mim, o meu corpo é a recriação do mundo, minha redescoberta de memória. Entre as imaginações e detalhes do cotidiano que se passaram nesses anos de curso, a imagem ainda é bem forte em meus pensamentos. Tudo se transformava em hipomnemata[4] que colaboravam no meu aprendizado e registro de pensamentos da minha vivencia.






[1] Uma adaptação da obra de Théophile Gautier para o cinema. Um filme mágico que trata de uma época de declínio da commedia dell’arte pela Europa, inserindo o espectador no clima onírico e teatral daquelas mambembes apresentações, com cenários e fotografias quase-fellinianos em sua beleza e fantasia.
[2] A percepção háptica é então um bloco tátil-sinestésico que envolve uma construção a partir de fragmentos sequenciais. Ela mobiliza a atenção e requer uma ampla memória de trabalho para que, ao fim da exploração, haja uma síntese, cujo resultado é um reconhecimento do objeto (Hatwell, Streri e Gentaz, 2000).
[3] O LUME é um Núcleo de Pesquisa Teatral, cujo foco de atenção é o trabalho do ator, sua técnica e sua arte. Criado em 1985, o LUME vem se dedicando a elaborar e codificar técnicas corpóreas e vocais de representação, redimensionando o teatro, enquanto ofício, como uma arte do fazer e o ator como um artesão que executa ações.
[4] Hypomnemata é um palavra grega com várias traduções em inglês, incluindo um lembrete, uma nota, um registro público, um comentário, um registro anedótico, um projecto, uma cópia e outras variações sobre esses termos. De acordo com Michel Foucault, o hypomnemata constituí uma memória material das coisas lida, ouvida ou de pensamento, oferecendo assim estes como um tesouro acumulado para reler e mais tarde ter meditação.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Adubo orgânico para imaginação

Nesse campo teatral temos que partir sempre do que te toca, da poesia movente da ferramenta do conhecimento. É através do que se busca, do que te apresentam e da condução que chegamos ao objetivo. O discente em teatro precisa aprender com a própria vida e além dela o que a produção de tudo quer dizer; é preciso se apossar do objeto e multiplicar outros sentindo; receber os efeitos positivos e negativos para demarcar território do seu sentido; evoluir no objetivo da criação e formação de pensamento. Todos os códigos refletiram no acontecimento da pesquisa para a reprodução de símbolos, imagens e de um novo campo que cresce de acordo com as coordenadas do processo. Na minha formação buscava sempre conhecer a linha educacional que caminhava dentro de mim, do que percebia. Do que causava em mim ao produzir outros conteúdos em relação ao entendimento.

Pude colocar em prática essa linha do ensinamento adquirido no curso durante a disciplina Prática do Ensino do Teatro I, onde estagiei na Escola de Aplicação da UFPA –NPI. Foi onde comecei a perceber a educação existente em mim. Tinha a visão de um professor na sala de aula, conduzia a turma e vivenciava a minha forma de educar, buscando descobrir o ensino do teatro dentro da escola. Percebia a didática do ensino no fazer-aprender durante as aulas:

Didática é o fazer aprender, o ensinar na prática para que assim se obtenha o entendimento do assunto. Não podemos apenas ser meros ouvintes do que está sendo discutido. No modo de ensinar aos alunos, devemos fazer com que eles joguem, participem e se coloquem no processo de construção da aula para que “fazendo”, o entendimento se torna mais fácil. Assim o interesse fica sendo primordial, possibilitando ao aluno outras formas de conhecer e dando-lhe possibilidades de procurar outras fontes de querer saber mais (BERNARD, 2013).

Passava a informação através de jogos, dinâmica relacionada à outra área de conhecimento; conversava sobre teatro, arte e cultura com os alunos e me alimentava de novos saberes que escapava de cada um, sustentava o ritmo da aula com a criação de conteúdo feita pela turma. É preciso manter o controle, perceber o ritmo da cena e desenvolver um bom espetáculo em que todos participem.

O primeiro momento de percepção em entrar numa sala de aula, faz você entender o raciocínio de tudo o que acontecerá naquele espaço. A turma 801 e 803, foi a qual pude aprender a lhe dar como professor em sala de aula. Impondo-me como estudante de teatro, estagiário e professor, [...] A ultima aula com as duas turmas criei uma atividade teatral, já que a professora cedeu para a realização de um exercício dos estagiários. Trabalhei recriação de objetos e sentir um pouco de dificuldade em manter a atenção com o grupo de alunos que estavam participando da atividade. Era um contra ponto de não se expor, ter vergonha de ficar olhando o amigo, faziam rápido só para dizer que participaram. Mas o maior segredo é saber como funciona a atenção dos alunos, de onde se pode puxar para que todo o resto participe (BERNARD, 2014).


Imagem 4: Exercício de ressignificação da imagem do artista Cândido Portinari (Retirantes, 1944), NPI, 2014.

Estar em sala de aula ensinando foi gratificante além das expectativas. Participei junto com a turma, conhecia os alunos e tinha um retorno para aplicar na construção de um plano de aula melhor, mostrava o teatro na educação fundamental e em alguns casos cheguei a abrir as aulas com as propostas dos alunos.

Através desse conjunto de ensinamentos é que nos movemos, que agimos, que mantemos nosso corpo em dialogo com o espaço. Eu tinha bastante atenção em trabalhar em cada etapa que fazia meu conhecimento crescer na universidade. Era minha vida com “vida” acadêmica; tudo junto e misturado. Às vezes não conseguia avançar, parava para refletir sobre a modificação da arte e como dá andamento as pesquisas e elaboração de conteúdo. Parava no tempo. Voltava ao meu centro e avaliava a composição cênica que se instaurava na minha memória. Regressava novamente a sala de aula para perceber como tudo precisa de um espaço-tempo para haver o entendimento do novo, das possibilidades de restaurar cada etapa para prosseguir no reconhecimento da pesquisa. Tudo se regularizava em mim, minha percepção dos fatos se organizava. Entendi que no teatro somos levados pelos sentidos do movimento, da ação, de onde se parte, de cada ponto e pra onde o objeto te leva. É a regra jogo de cada ensinamento que compõe o conjunto.

O corpo, a memória, a criação depende de tempos de espera, tempos de vazio, tempos de decepção, até um momento e tempo em que um trabalho interno, silencioso e aparentemente inexistente encontra a resolução do problema em ato, em potências e em ação (COLLA, 2013, pg. 22).

Em outro estágio pelo qual passei, aprendi com essa parte significante que cada lugar tem um tempo e que a dificuldade pode trazer um novo aprendizado. Estagiei um ano e meio na Assessoria Comunitária da Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) onde atuei como colaborador, artista e ator-manipulador com teatro de animação para escolas, instituições e comunidades:


Imagem 5: Equipe de estagiários de teatro da COSANPA, 2013

 As dificuldades da arte naquele ambiente traziam um esgotamento de praticar o meu aprendizado e percebi várias falhas onde o teatro em alguns casos não se encaixava. Os materiais de trabalhos eram velhos, o planejamento da secretária em agendar as escolas não era resolvido, obtinha desvio da minha função de estagiário, entre outros problemas, que só me dei conta quando me perguntei qual era a minha parte nisso tudo? Como contratam um estagiário de teatro para preencher fichas de avaliação sobre tratamento de água? Foi então que a arte de se fazer teatro tomou conta de meus pensamentos, desenvolvi através de muita luta dar um novo sentido da arte naquele espaço, afinal minha função era levar a mensagem da sustentabilidade para outros lugares através da arte. Solicitei novos materiais de trabalho, escrevi roteiros para criação de novas cenas, agendei apresentações em comunidades e escolas e fui dando um novo sentido teatral naquele lugar que só parou quando a administração me colocou numa função diferente da minha formação. Meu corpo não tinha mais a vontade de produzir conteúdo. Tentei mostra uma forma de fazer teatro num ambiente onde não queriam saber e tive que pedir demissão. Segui outro caminho.

Aos poucos o discente em teatro modifica o seu entendimento, caminha na linha do raciocínio. Traz pra perto as possibilidades que ampliam o objetivo de seus trabalhos. Passa por fases que podem contribuir ou interferir no processo de formação. As grandes mudanças acontecem no seu fazer; na criação de seus raciocínios e em trabalhos coletivos onde há mudança de pensamentos, compartilhamentos de ideias e um único caminho por onde sai o amadurecimento do que se está construindo. Como estamos cavando nesse adubo orgânico para imaginação? Há o momento de parar, errar para entender, aprender com as incertezas. Quando algo modifica a regra do jogo é preciso avaliar a situação para o fluxo das possibilidades adentrarem no seu desempenho, não havendo interferência e seguindo a lei natural da vida. Um dos objetivos é fazer a sua parte e torcer para que todo o resto se encaminhe:

Sem o fracasso, o estímulo seria puro valor. Seria a embriagues; e por essa enorme vitória subjetiva que é a embriaguez, tornar-se-ia o mais incorrigível dos erros objetivos. Assim, a nosso ver, o homem que tivesse a impressão de nunca se enganar estaria enganado sempre (BACHELARD, 1996, p 295).

O estimulo vem como uma corrente que explode dentro de si, essa é a parte fundamental de um pensamento cientifico. Tudo está vivo e a nossa relação de vida com vida acadêmica não se diferencia. É preciso relacionar nosso olhar com o olhar do outro, se conectar com a esperança do destino e estar sempre em mudança, é ela que vai definir o seu potencial de diferença entre os iguais que vivem a universidade. Durante esse processo de formação os meios te levam por determinados caminhos que juntam as partes de um sistema de conhecimento que estar sempre em desenvolvimento. É preciso lutar contra a redução da vida e as dificuldades do curso, para além da sala de aula.


Em todo caso, viver quatro anos de curso dependerá de como interpretaremos a nossa performance em conhecer todos os meios de informações e cheios de vivência a nossa rotina. De como os grupos, as experiências, os trabalhos acadêmicos e profissionais se juntarão ao desempenho da função de descobrimento de sentidos. Eu descobri que não me separava por completo do teatro, mesmo sabendo que tinha outras vivências além da universidade. Tudo está em conexão. O curso influenciou muito na minha forma de pensar, demonstrar, construir o conhecimento, aplicar nas diversas ciências e planejar um horizonte para minha vida. Os trabalhos continuavam na cidade e no Brasil a fora. Durante esse plano todo busquei uma forma de organicidade dessa vivência. Um profissional em teatro deve saber interpretar bem os papeis da própria vida. É a vida existente que nos serve de material para criação.

PRODUÇÃO ACADÊMICA

Extrapolar a sala de aula e compreender a relação ensino-aprendizagem como conjunção de múltiplas e plurais atividades de pesquisa, extensão, culturais e políticas constitui um desafio. (RUBIM, 1995, p. 1)

Eu já estava do outro lado quando comecei a caminhar na minha própria linha. Fui procurar conhecer em outras áreas de conhecimento o sentido da minha arte, da minha formação como artista-professor-pesquisador. Da avaliação e aprendizado que adquiria em sala de aula, daquele espaço que faltava entre as aulas teóricas e práticas, de toda extensão que desse continuidade aos meus pensamentos e fazer discente na universidade. Desempenhava minhas funções e conhecia a dinâmica do profissionalismo, transitava e evoluía a cada passo: passei por todo o campus Guamá (institutos, blocos, R.U, beira do rio, vadião), lá encontrei horizontes que despertavam novos olhares sobre a vida universitária, conheci o mundo da pesquisa e desbravei outros sentidos; passei pelo PPGArtes onde interagi com pensamentos poéticos e leituras sobre o conhecimento da vida; pelo ICA onde contribui na produção e comunicação das informações artísticas; pelos estágios em escolas e instituições que me ensinavam a dinâmica do profissionalismo; por grupos de pesquisas, congressos e encontros que ampliavam o conhecimento artístico para o meu entendimento cênico; pelos amores, aventuras e crises que encontrava pelos caminhos que me faziam seguir a diante e acabava na disciplina: Exercício da Cena 5 - Posto[1]. No meio da trilha tinha mais espontaneidade e atenção em demarcar território. Ali o caminho largo me traçava outras possibilidades de reler o entendimento do espaço, desde o universo até minha extensão de sobrevivente no planeta cosmo. Redescobria-me como um circulo que divaga em outros pensamentos que desbravam as linhas de um rizoma:

[...] Diferentemente das árvores ou de suas raízes, o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus traços de mesma natureza; ele põe em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não signos. O rizoma não se deixa reconduzir nem ao Uno nem ao múltiplo. Ele não é o Uno que devém dois, nem mesmo que deveria diretamente três, quatro ou cinco etc. Ele não é um múltiplo que deriva do Uno, nem ao qual o Uno se acrescentaria (n-1). Ele não é feito de unidades, mas de dimensões, ou antes de direções movediças. Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda [...] (DELEUZE, 1995, p. 43).

Estava no meio dessa construção universitária, algo abria os meus olhos ao som das vozes codificadas em outras línguas que embalavam a leitura do novo; da real forma de comunicação entre linhas. Quando me perguntavam qual era o meu curso, respondia de uma forma que levasse a informação até a linha de pesquisa de quem perguntava, deixando fluir a comunicação artística de um discente em teatro. Em outros momentos mostrava na prática a minha formação e dialogava com o outro. É preciso sair do descanso. Superar o absurdo. Se inquietar, esgotar a energia que te explode. Acreditar no novo, realizar sonhos, crescer ao nível do mundo. Se juntar ao estranho; deixar a sua moradia e ser a sua casa. Compartilhar conhecimento e contribuir no desenvolvimento; no documento memorável de um acontecimento histórico.

No infinito espaço procurei entender o meu campo de pesquisa, as informações chegavam de todas as partes e tentava capturar pelo raciocínio do meu aprendizado. O entendimento do conhecimento fluía e a produção acadêmica acontecia. Estava em movimento com outras linhas de pesquisa e descobria o mundo; me fazia presente até parar na dúvida e perceber por onde caminhar. Liguei o nobreak e conectei-me ao ciberespaço. Cartografei fatos (http://goo.gl/ept9sl) e organizei o andamento dos dias, das aulas, do pensamento teatral.

Tudo confunde o tempo-espaço da minha mente. Subtrai sistematicamente as condiçõesexistentes do corpo. Aperta confrontos com o coração e rompe a ligação com a mente. Olho desgarrado para as informações do mundo, procuro adaptá-la a minha rotina. Tudo se perde, sai pelos poros e a existência não me qualifica como ser. Sobrevoo, perco a noção de amplitude; esbarro no invisível que detona a imaginação por não superar o ar que respiro. Sufoco-me acreditando que amanhã será melhor. Acredito em novas fases de sobrevivência. Saio do game-over. Pulo ao som da distorção; me dilato na batida cadente da explosão do meteoro. Multiplico-me em dois pensamentos, torno-me frágil. Sou expulso da terra. Vago no infinito inexistente que me acolhe. Grito em animus, recomponho-me em anima. Sou transversal; alquimista sobrevivente por sentimentos múltiplos. Tenho arte saturada no grau zero da escrita

Pedir a noção dos pensamentos. A trajetória da formação teatral se aplica em todas as linguagens. Tudo é código existencialista da comunicação. Penso a arte, para obtê-la, como grande fomentadora do entendimento para o despertar de um novo amanhecer. Percebo a plenitude de territórios de conhecimentos científicos, infinitos consentimento linguístico da informação. Tudo é modo de sobrevivência. Visualidade alinhada da vida. Cartografia do som desenhado na imaginação. No raciocínio de ideias de possíveis diálogos que se transformavam às vezes em poemas de conhecimentos adquirido no curso:

– Hoje foi me apresentado a poesia de Manoel de Barros.
– Não, não era nenhuma poesia romântica.
– O romantismo ia além das palavras bonitas.
– Existia a simplicidade através do olhar do poeta.
– O olhar que poucos têm.

Fecheis os olhos e vi naquele escuro a verdadeira arte das palavras. Elas se misturavam com os objetos formando sentimentos que tiravam de mim o que já não tinha. “O que tuas mãos fazem?”, perguntou um objeto que estava esquecido no chão. Não respondi. Apenas imaginei o que elas poderiam fazer. “Para onde teus pés te levam?”, perguntou outro objeto que impedia o meu caminho. Fiquei pensando sobre isso. Acho que mesmo parado podemos ir para onde quisermos, desde que nossa imaginação se sinta à vontade.
Juntei todas as minhas indecisões e troquei por um pequeno espaço no universo. Irei construir um planeta com minhas lembranças do passado. Onde meu corpo se transformará em outros corpos para não me sentir só. Onde viver não será mais uma obrigação. Meus sonhos se transformaram em músicas para fazer a sonoplastia do meu cotidiano. Irei viver no meu mundo, onde a realidade será ficção e ficção será a minha realidade. Irei viver como num filme, num livro, numa poesia de Manoel de Barros:
– Em seu mundo inteligente e cheio de loucuras o que pretende fazer?
– Deixar minha realidade e viver de ficção para ir além das fronteiras.
– Eu não sou mais eu. Sou tudo.
– Sou todas as coisas.
(Blog Corpo Palavra, 25/05/2011)

Esse post no blog me fez perceber o objetivo de um dialogo; da onde ele parte e como é construído. Como poderia trabalhar de vários modos o meu conhecimento, praticando o entendimento da realidade e de outros códigos da minha interpretação de conteúdo. Em alguns casos demostrava apenas uma parte da minha ação, da compreensão funcional das coisas. Aprendia conhecendo e ensinado fatos que me traziam retornos pra vivenciar esse estado de ser. A presença em cada parte me trazia um bem, desde o local ao universal. Pertencia de fato a educação e pesquisa em teatro. Tinha a área do conhecimento cênico em mim.




[1] Exercício da Cena 5 (posto) é uma disciplina criada pela turma 2012 que dava continuidade a nossa grade curricular após o termino das aulas. As aulas aconteciam num posto de gasolina que fica em frente à ETDUFPA onde desempenhávamos a tarefa da descontração.