OBS: Para continuar navegando na leitura do TCC, siga as coordenadas do >>>continuar lendo<<< e continuar lendo no blog do autor: para ser direcionado a outra parte, elas estarão em algum lugar; tente não se perder pela web, clique nas palavras vermelhas/azuis lincadas ao texto, voltem, não precisam ler se não quiserem, volte, vão passando o CONTINUAR LENDO que vai para o outro blog, de vez em quando volta para o meu blog, mas continuem. O objetivo é chegar nas referencias bibliográficas. Boa viagem.
Participar de uma montagem teatral sempre me traz grandes dúvidas enquanto ator. Sigo a influencia artística pertencente a grandes exercícios; modifico-me em formas de pensar. Transporto-me para a leitura da obra que me completa num grande vazio. Destruo a forma de narrar do autor e me qualifico apenas em seus pensamentos, nas entre linhas que dão sentido ao entendimento da história. Mudo conforme o jogo cênico que se instaura nos ensaios. Mostro inúmeras posições onde meu corpo sustenta a ideia de um devir, influenciando na construção do espetáculo. Dou forma ao sentido da virgula e subtraio a dúvida existente no comando. Vejo brotar um norte para o movimento da ação, me alimento do absurdo para sobreviver na encenação.
Peguei o curso da história já construída, partido da terceira fase. No meu grau de conhecimento busquei me incluir na quarta fase e aplicar todo o conteúdo de criação pertencente a nova montagem do espetáculo "Animalismo - A Nova Ordem Mundial", fábula inspirada no livro A Revolução dos Bichos, de Orwell. A montagem surgiu do Projeto de extensão "Novos Encenadores", realizado pelo Grupo de Teatro Universitário (GTU) da UFPA, dirigida por Marcelo Andrade em maio de 2015.
O personagem que interpretava era o Corvo, readaptado para nossa montagem como “Urubu”, um animal asqueroso que come carne humana. Diante do processo de montagem trazia durante os ensaios a minha pesquisa de personagem. Descobria no cansaço, no esgotamento físico aplicar as referencias que davam sentido ao bicho:
Imagem da internet
Imagem da internet
Anotações em diário do processo de criação
As coordenadas me guiavam na construção de partituras para o personagem e me localizavam na cena. Com isso pude ter noção do que estava fazendo e trocava a ideia com outros atores para chegar a um sentido:
- corcunda
- leveza
- olhar sombrio
- sair voando depois de ser expulso
- ficar em cena
- dar o texto sem presa
- eu sou um orador
- outra voz pra dá o texto
- boca aberta com lábios bicudo
- eu como carne humana, sou um abutre
- olhar sombrio, assustador como se fosse atacar alguém
Exercício físico para a construção do personagem
Essas coordenadas são rastros que sustentam a ideia um devir do personagem. Construía uma memoria das ações, do que adquiria e aplicava no meu corpo:
“A memoria é um espaço e o tempo da criação. E só nos serve se convertida em carne, corpo vivo, intenso. Mesmo fragmentária, permitindo respiros, pausas, fluxos, refluxos, pequenos confortos, a intensidade e a plenitude não podem ser contínuas. Não é possível conservar e alimentar a intensidade em tempo integral.” (Ana Cristina Colla. Caminhante, Não Há Caminho. Só Rastros. 2013, p. 21)
Outras informações referente ao espetáculo:
Entrevistas e teaser sobre o espetáculo "Animalismo - A Nova Ordem Mundial"
Este
artigo apresenta o processo de produção do monologo Tereza. Mostrando a
trajetória de criação da cena que teve a direção de Bernard Freire e atuação de
Cleber Cajun. O processo foi desenvolvido a partir do texto “Os três mal
amados” de João Cabral de Melo Neto para a disciplina Exercício da Cena 3 –
Encenação, ministrada pelas Profª Dra. Wlad Lima e Ivone
Xavier, disciplina
integrante da matriz curricular do Curso de Licenciatura plena em Teatro da
Universidade Federal do Pará – UFPA.
“Criar
a sua observação, as suas ideias em dialogo com o processo de produção.
Cartografar pistas e meter a mão na massa”. Essas são apenas algumas das
obrigações que o Encenador deve ter para se ter uma ideia; obrigações que
surgiram para mim durante a disciplina Exercício
da Cena III – Encenação, ministrada pelas Profª Dra. Wlad Lima e Ivone
Xavier no curso de Licenciatura em Teatro na UFPA. Essa disciplina teve como
indutor o texto “Os três mal amados” do João Cabral de Melo Neto para
discorrermos sobre a criação artística de percepção diante do texto. Ao ler, a
narrativa se dava em torno de três personagens que dialogavam com a existência
do infinito; com um caleidoscópio de palavras amarradas a uma linha em frase. Entendimento
sobre o amor, a vida e o mundo definido em pequenos detalhes.
Ao
ter autonomia sobre o texto, quebrei a forma de entendimento que as palavras
ordenavam. Busquei através das inquietações uma captação de novo sentido do
texto. Troquei dúvidas por afirmações e fiz suscitar todas as palavras
verdadeiras que geravam questionamento. Fui por meio de sentimentos que surgiam
através da leitura; rabisquei ideias e modifiquei o plano do personagem.
Sobrevoei em busca dos entendimentos.
Pista1 – Caleidoscópio de palavras: primeira
impressão do texto
Pista 2 – Plano de pensamento do personagem
No
texto, escolhi o personagem João
para trabalhar e usa-lo com autonomia em minha criação. Partir de suas dúvidas
amorosas e por sua busca incessante por Teresa; amada que lhe qualifica como ser
estável a condições imaginativas. A cada sentido de palavra procurava observar
a qualidade dela numa encenação. Tentava perceber por de trás das frases o que
o ator poderia trabalhar.
Criei
pista, rabisquei o plano cenográfico. Busquei Tereza no infinito; num léxico de
palavras que as interrogações me trazia. Tirei da minha memória as
transformações que o texto me empurrava. Modifiquei o texto por um mapa, criei
movimento; investiguei casos em torno das palavras. Pelas pistas desenhadas cartografei
o mapeamento de encenação: “As pistas que guiam o cartógrafo são como
referências que ocorrem para a manutenção de uma atitude de abertura ao que vai
se produzindo e de calibragem do caminhar no próprio percurso da pesquisa” (KASTRUP;
BARROS, 2009, p. 13).
Descrever
sobre o processo de criação e dialogar com a obra do autor. Ter uma leitura com
suas próprias visões e perceber o que nos chega para assim se poder trabalhar.
Mesmo sem saber o que poderia acontecer, procurei me ater a receber os
pensamentos de João; joguei para encenação, compus ligações com meus registros
e compartilhei a recriação da obra. Escolhi o ator Cleber Cajun para encenar e
junto montarmos um monólogo que apresentasse o personagem nos três planos da
atuação. Me fiz presente, ordenei casos, revir escolhas; tratei das minhas
induções como se quisesse entender do ciclo infinito das palavras.
Pistas 3 e 4 – Modificação das dúvidas por
afirmações
João
descobre dúvidas-afirmativa. Mostra variações dos filtros; perpassa por planos
e busca por Teresa. Se perde no caleidoscópio e transgride em situações.
Percorre por amores-ilusões-loucuras-sentidos-dores que nasce das perguntas que
lhe fazem viver. Risca caminhos que sempre o entrelaça com Teresa. Você
realmente vê Teresa?
JOÃO
“Ainda
me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda
chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e
paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa
água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido
(penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o
afugentou, porque os sonhos são como as aves não apenas porque crescem e vivem
no ar)”.
Dei liberdade aos
sonhos, procurei ver que sentidos eram esses em que João se transbordava.
Representei o infinito de distância cercado pelo mar que engoli a dor do
personagem. Percebi Tereza num vislumbre que voava junto aos sonhos, que ao
chegar ao céu, caia no mar e se afundava junto às dúvidas de João. Mergulhava e
voltava num suspiro a procurar de ar, de se manter descansando nas ondas que
oscilam o amor. Durante os ensaios, pedia para que o ator me apresentasse o que
ele tinha observado através do texto; o que tinha absorvido das pistas e que
havia imaginado. Onde poderia estar João nesse mundo?
Através do material
que tínhamos imaginado, colocamos o texto de lado e tentávamos criar uma imagem
que mostrasse Tereza, o amor presente que João deixa nas frases materializadas.
No primeiro encontro passamos por exercício em que buscávamos o estado do
personagem, um louco de amor, um individuo jogado no mundo, naufrago, etc. Com
essas ideias buscamos o plano de existência de João e fechamos um tipo de
personagem que tínhamos tirado das frases do texto.
No segundo encontro
tínhamos apenas a ideia do personagem, mas ainda não conseguíamos encontrar um
louco que mostrasse a existência do amor dilacerado. Foi então que partimos
para a fonte que alimentava as ilusões do personagem: Tereza. Ela seria o
mistério que assombrava as dores, o sufocamento em poesia e o desbravamento em
pensamentos. Imaginamos Tereza sobrevoando os sonhos de João, presente em sua
observação no cotidiano; uma deusa que deixa João entregue ao amor em um corpo
que já não responde as vontades próprias. Trouxemos Tereza em um vestido voando
sobre os olhos do personagem e que ali o jogo se desenvolvia para a cena.
Antes da apresentação
tinha pensado em um lugar adequado para a cena: Portal da Amazônia Belém –PA.
Uma praça que fica de frente pro Rio Guamá onde a vento, luz e pessoas
passando. Ali se desenrolou um universo onde o amor se decompunha no imenso
rio. Montamos um cenário que havia pensado e junto com o trabalho do ator
modificamos o espaço para uma instalação cênica ao ar livre. Ele me apresentou
um objeto de cena e um figurino que deixasse claro o estado do personagem.
Pista
5 – Local da apresentação da cena (Portal da Amazônia)
Durante todo o
processo sempre pensei nos delírios da personagem. Nas aulas, criava pistas que
pudessem chegar ao que havia imaginado. Entre as ideias e os desenho, criei uma
cena que buscasse todos os pensamentos que passavam na hora em que lia e que
montava junto com o ator a apresentação. A cena se deu ali, na praça, e tudo
que vivenciamos nesse processo o resultado respondeu a um processo de encenação
que despertou um grande olhar em mim. Uma observação de diretor bem detalhada,
com uma cartografia detalhada da cena. Busco guarda essas referencias em outros
processos, pois torna uma encenação bastante rica para o processo de criação
teatral.
Fotos do vestido, objeto de cena na apresentação.
Vídeo da apresentação da cena
REFERÊNCIAS
PASSOS, Eduardo; KASTRUP,
Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.) Pista do método da cartografia.
Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.
Grupo de Pesquisa e Extensão InquietAÇÕES: arte, saúde e educação
Descrever sobre o ensino nas escolas e desdobrar suas funções, obter conhecimento através de referencial teórico, planejar através da aula-teatro um conteúdo educacional, ensinar e receber informações com diferentes profissionais da educação que experimentam do ensino-aprendizagem para uma qualificação dos estudantes. Essas foram algumas das formas que o Grupo Inquietações trabalhou durante a realização do Programa de Apoio a Projetos de Intervenção Metodológica (PAPIM). Durante dez meses o grupo se lançou no projeto com o objetivo de levar através da arte teatral uma forma de se trabalhar com outro olhar. Modificando em apresentações a relação de professor-aluno sobre temas como: Medicalização, que busca falar das doenças existentes nas instituições de ensino do Brasil.
Nas atividades de campo levávamos aos professores um dialogo do uso do medicamento, de como eles observavam os alunos dentro dos rótulos (patologia, autismo, TDH, dislexia, TOD) e tinham como referencias os tipos de comportamentos dos estudantes. Para se trabalhar com uma nova forma de ensinar, o grupo durante os encontros pesquisava uma forma de atuar com os estudantes. Trazíamos referencias das escolas e dos tipos de comportamentos e aplicávamos nas aulas de teatro o material coletado das observações para um novo ensinar sobre esses comportamentos.
Avanços teóricos, experimentais e práticos obtidos:
As aulas de expressão teatral levaram o Grupo Inquietações a outro estado de percepções onde as criações dos sentidos mostrassem o grupo numa vivencia além da abordagem da informação. Foi através de exercícios de improvisação e criação de cenas que descobríamos uma forma de levar o debate da medicalização para as escolas e ruas. Trabalhávamos com nossas imaginações, partindo da seguinte pergunta: o que é que me inquieta? Essa pergunta foi um mote disparador para termos uma ideia do que poderíamos trabalhar durante nossos encontros.
Imaginação, corpo, improviso, histórias de vidas e arte educação; no inicio tirávamos dessas palavras um leque de conhecimento do que queríamos levar para as escolas, quem iria nos assistir e como levaríamos a informação para o outro. Foi através dos jogos teatrais e da participação coletiva que descobríamos fazendo como eram os usuários e as pessoas diagnosticadas com algum tipo de transtorno.
Integração do Projeto PAPIM com o ensino, a pesquisa e/ ou com a extensão:
No inicio mostrávamos o que sabíamos, como era a reação das pessoas, onde isso interferia e como chegava à observação do outro. Tivemos como referencia um espaço (sala de aula) para entrar num cenário em que era possível diagnosticar os casos que trazíamos para os nossos encontros. Onde os casos surgiam? Em que lugar ele poderia ser observado? Foi através do autismo, da imperatividade e da ausência de sentidos que desdobrávamos para outro lugar. Desdobrávamos nossas criações de cena partindo da ideia de pesquisa-ação; colocávamo-nos como meros reprodutores da informação, como personagens existentes nos espaços de socialização:
"Entendida como uma ação que visa a mudanças na realidade concreta com uma participação social efetiva, a pesquisa-ação crítica está centrada no agir, através de uma metodologia exploratória, tendo seus objetivos definidos no campo de atuação pelo pesquisador e pelos participantes. Seus resultados estão vinculados à tomada de consciência dos fatores envolvidos nas situações de vida imediata e na participação coletiva para a mudança da ordem social. A identificação de problemas e possíveis soluções e o estabelecimento de programas de ação constituem procedimentos que podem ser utilizados com a ajuda de técnicas tradicionais como as da pesquisa documental, dinâmicas de grupo, informações vivas e opinativas dos participantes". (BRANDÃO, 1987)
Nossas aulas se transformavam num espaço de compartilhamento de ideias, numa intervenção teatral. Éramos opressores; oprimidos sem causa num espaço de aprendizado. Com as ideias que surgiam nos encontros, montávamos situações cotidianas que passassem uma informação do que queríamos trabalhar. Sempre nos ensaios colocávamos questionamentos, inquietações do nosso posicionamento como humano, como cidadãos.
Efeitos do Projeto PAPIM na reestruturação e qualificação de cursos de graduação e na atualização de seus Projetos Pedagógicos:
Para se chegar a um bom resultado partimos da pesquisa como indutor da busca de fatos para uma formação profissional e educacional. O grupo inquietação que tem como maiorias participantes discente na formação de educadores, busca relacionar através de suas aulas praticas uma nova formação através da arte. Levantando um novo questionamento no curso que amplia seu conhecimento além da ementa da grade curricular. Elaboramos através da aula-teatro uma nova qualificação, tendo o entendimento do ensino a partir da ação; fazendo e aplicando o conteúdo nas salas de aula e intervenções artísticas.
Durante as aulas de expressão mostrava uma mistura de exercícios teatrais desenvolvidas a partir dos jogos teatrais do livro “Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin”, que traz cartas de dinâmicas e jogos para ser aplicado em um grupo de teatro, e buscava informações no livro “Jogos para atores e não-atores” do Augusto Boal que apresenta formas de fazer teatro para qualquer publico e em qualquer espaço. A ideia era sempre entrar num jogo e desenvolver uma cena partindo dele. Buscava despertar o interesse teatral nos participantes do projeto e socializar o aprendizado entre o grupo, buscando incentiva-los a conhecer mais sobre a arte cênica por meio de técnicas corporais, leituras e criações.
Com esse planejamento, buscava ferramentas para desenvolver o que tínhamos como ideia. Junto ao grupo, transitávamos com o teatro a partir da realidade em que o aluno vivia e como a escola apresentava essa vivencia. Tínhamos coletado um bom material para trabalhar. Misturávamos para apresentar um bom resultado através dessas discussões, jogos e a vivencia com a turma. Foi através desse pensamento que pretendíamos aplicar nossas discursões nas escolas.
Com os exercícios realizados nos encontros do grupo, montamos duas cenas: a primeira foi uma intervenção na rua que existiam vários tipos de sintoma em que cada um se libertava das correntes que lhe prendiam a doença; a segunda se passava numa sala de aula onde os alunos eram diagnosticados pela coordenadora com vários sintomas que se sujeitavam ao comportamento do cotidiano das crianças. Com as cenas, mostrávamos para o publico de professores uma visão do que realmente acontecia nas escolas e logo em seguida entravamos numa conversa para encontramos uma solução para ser aplicada no ensino das instituições.
Efeitos do Projeto PAPIM junto a Sociedade:
Levar a educação para além dos muros da universidade foi um dos objetivos do grupo. Durante esse processo vivenciamos em três escolas processos diferentes do nosso planejamento de ensino, e achamos importante falar delas em nosso relatório. Junto com os professores percebíamos uma nova forma de lhe dá com os problemas recorrentes nas escolas; nelas mantínhamos um novo dialogo. Paulo Freire na sua obra “Pedagogia da autonomia” diz que o dialogo e a melhor maneira de produzir conhecimento e libertação, pois e um meio de comunicação onde se permite fazer questionamentos através de criticas construtoras e transformadoras.
Ao final de cada apresentação da Aula/Teatro o grupo abria para uma roda de conversa e debater sobre o tema da medicalização da educação, usando como artificio introdutório algumas perguntas disparadoras para iniciar o debate. Dessas perguntas juntávamos a comunidade com os acadêmicos numa formação de ideias. Transitávamos entre teoria-pratica-vivencia para desenvolver um dialogo que apresentasse um caso. Dele tirávamos a total observação enquanto estudo. Como solucionar casos existentes na sala de aula? Dessa pergunta disparávamos ideias para um resultado. Modificação do mostrar, ensinar.
Assim, a comunidade externa compartilhava de suas vivencias o conteúdo mostrado nas apresentações. Traçando o um fio-contudo que levasse a pesquisa feita nos encontros do grupo para o alcance das escolas. Foram relatos de experiências que com nossas atividades e conversas trocávamos, ensinávamos e recebíamos uma nova possibilidade de recepcionar os alunos.
Das atividades feitas além do muro da universidade, tivemos como resposta um grande conteúdo de informações para aplicar em nossos trabalhos: mudança de cena; novas formas de aplicar o ensino; efeito da atividade nos alunos; como eu comunico o outro.
As apresentações das cenas trabalhadas na universidade foram levadas ao publico em locais como: escolas públicas da rede estadual e três intervenções em outros espaços. A primeira aconteceu no Fórum Internacional de Saúde Mental ocorrido no dia 25 de março de 2015 na UFPA, a segunda na praça da república no dia nacional de luta antimanicomial ocorrido no dia 24 de maio e a terceira no Solar da beira no dia 28 de maio de 2015.
Grupo InquietAÇÕES
Coordenação: Lucia Lima Participantes: Bernard Freire Suellen Ferreira Dayane Brandão Paulo Almeida Laura Norat Nathália Dourado Amanda Corpes Débora Amanda Thayná Marques Antonio Denis Priscila Anjos
Crítica teatral do espetáculo ''ROSA DOS VENTOS: Entre Miragens e Mirações'' da Trupe Perifeéricos.
A sombra dança na tela cujos movimentos desenham imagens. São corpos dilacerados por um foco de luz que se esbarra no lençol. É a energia antes de entrar em cena, é um silencio de imagem. É a expressão que brinca com sons, é aquela ansiedade que só se acalma quando a luz apaga e o filme começa. É a caixa preta high tech, é a ''ROSA DOS VENTOS: Entre Miragens e Mirações''. Espetáculo montado pela Trupe Perifeéricos que convida o público a entrar numa fábula de magias e encantos. Se perdendo entre flores e poesias. Modificando a presença do ator entre realidade e mídia. Substituindo o palco pela tela, onde a cenografia apresenta o real-ficcional, um filme que está sendo gravado agora.
Dentro dessa caixa a Trupe se desconfigura em atuação, desobedece à comunicação presencial, muda o foco, te coloca em outros horizontes e te faz perder a vida de perto. Traz uma dramaturgia marcada pelo vídeo que logo surge em cena onde o teatro vivo fica suspenso e acaba sendo uma ilusão. A Rosa é esse deslocamento, não tem ponto fixo, é perdida no vento. É uma miragem que coloca o público num sonho, mistura o som com o olhar do caleidoscópio e brilha na explosão da informação, é “multiplicação de signos no aparecimento de formas e no retorno do artifício que se anuncia como tal”. (AMIARD-CH EVREL, 1990, p. 10)
O espetáculo começa sendo rodado numa projeção onde o corpo do Dermond se distorce, mostra um desentendimento de lugar, eleva o pensamento e se bagunça como o vento. Esse desentendimento de lugar mostra uma reconstrução teatral, coloca um vídeo no meio do palco e se sustenta em duas linhas que converge entre história e espaço. Coloca o público no ar, voa, traz de volta para cena e abre para mundo. Onde se dá o espetáculo? O que estou assistindo?
A presença de duas linguagens tira um e põem outro, balança no real-ficcional, substitui o texto teatral pela utilização de recursos audiovisuais como prática de dialogo. Mostra uma bagunça de lugar e deixa o sentido das assombrações no silêncio do palco, bem quieto e só se apresenta quando os atores estão em cena. Traz uma verdade bem disfarçada que a projeção esconde na retina. Ali ela se expande e coloca o teatro como reprodutor da fábula; mostra quem é soberano e faz tudo isso funcionar colocando em evidencia sua influencia no nascimento da sétima arte.
Bernard Freire 22.03.2015 Referência Bibliográfica AMIARD-CH EVREL, Claudine.Frèresennemis ou fauxfrères? (théâtreetcinéma avant leparlant). In: Théâtreetcinémaannéesvingt. Tome 1. Paris: L’âgeD’Homme, 1990, p. 10.
Eu canso quando o som ao redor se expandi dentro de mim. Mostro ausência de sensatez e me cubro de metáforas aglutinadas na minha imaginação. Busco um revés que modifica os estreitos caminhos oblíquos da rotina. Paro. Sufoco em pensamentos. Desabo em poeira soltas que invadem minha retina. São tempos rápidos e o entendimento dessa situação gera um caos nos poros que aniquilam o individuo. Tudo é confuso. Bagunça encaixotada. Energia esquálida derradeira. Movo, prendo-me a mim mesmo. Observo o andamento das paredes e caio no chão que sustenta o mundo. Tudo é frenético. Ausência de motivação. Grito escorado nas cordas vocais. Vazio cintilante que acompanha a rotina. Circulação interrompida pelo espaço. Olho de dentro e não enxergo nada. Tudo é fato. Choro trancado. Batimentos que soltam os brilhos invisíveis. Palma. Estabilidade caminhante. Encadeamento imóvel. Até aqui o silêncio busca um confronto com ele mesmo. Por de trás, visões encandecestes que te sustentam na linha cotidiana. Fluxo de sentimentos. Pedaços embrulhados num lencinho de papel. Ar codificado de gases. Movimentação psicodélica. Tudo é misturado, andamento retardado, choque de explosão do intestino.
27/08/2015
*Rosácea das forças: "trata-se de um espaço direcional adaptável a todos os movimentos do homem, sejam eles físicos ou psicológicos, um simples movimento do braço ou uma paixão devoradora, um gesto da cabeça ou desejo profundo, tudo nos leva ao 'empurrar / puxar'". (O corpo poético - Jacques Lecoq, 2010)