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segunda-feira, 11 de abril de 2016

SUMÁRIO



Capítulo I - SALA DE AULA


Capítulo II - PRODUÇÃO ACADÊMICA


Capítulo III - UM QUINTAL PARA O FUTURO



TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA ARTE
ESCOLA DE TEATRO E DANÇA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO





Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca examinadora da Escola de Teatro e Dança, do Instituto de Ciência da Arte da UFPA, como um dos requisitos à obtenção do título de Licenciatura em Teatro, sob orientação da professora Dra. Wladilene de Sousa Lima. Área de Concentração: Interfaces Epistêmicas em Pesquisa em Teatro.

Banca examinadora:

Prof. Dr José Denis de Oliveira Bezerra

Prof. Ms Edson Fernando Santos da Silva



OBS: Para continuar navegando na leitura do TCC, siga as coordenadas do >>>continuar lendo<<<  e continuar lendo no blog do autor: para ser direcionado a outra parte, elas estarão em algum lugar; tente não se perder pela web, clique nas palavras vermelhas/azuis lincadas ao texto, voltem, não precisam ler se não quiserem, volte, vão passando o CONTINUAR LENDO que vai para o outro blog, de vez em quando volta para o meu blog, mas continuem. O objetivo é chegar nas referencias bibliográficas. Boa viagem.  

sexta-feira, 25 de março de 2016

Espetáculo "Animalismo - A Nova Ordem Mundial"

Participar de uma montagem teatral sempre me traz grandes dúvidas enquanto ator. Sigo a influencia artística pertencente a grandes exercícios; modifico-me em formas de pensar. Transporto-me para a leitura da obra que me completa num grande vazio. Destruo a forma de narrar do autor e me qualifico apenas em seus pensamentos, nas entre linhas que dão sentido ao entendimento da história. Mudo conforme o jogo cênico que se instaura nos ensaios. Mostro inúmeras posições onde meu corpo sustenta a ideia de um devir, influenciando na construção do espetáculo. Dou forma ao sentido da virgula e subtraio a dúvida existente no comando. Vejo brotar um norte para o movimento da ação, me alimento do absurdo para sobreviver na encenação.

Peguei o curso da história já construída, partido da terceira fase. No meu grau de conhecimento busquei me incluir na quarta fase e aplicar todo o conteúdo de criação pertencente a nova montagem do espetáculo "Animalismo - A Nova Ordem Mundial", fábula inspirada no livro A Revolução dos Bichos, de Orwell. A montagem surgiu do Projeto de extensão "Novos Encenadores", realizado pelo Grupo de Teatro Universitário (GTU) da UFPA, dirigida por Marcelo Andrade em maio de 2015.

O personagem que interpretava era o Corvo, readaptado para nossa montagem como “Urubu”, um animal asqueroso que come carne humana. Diante do processo de montagem trazia durante os ensaios a minha pesquisa de personagem. Descobria no cansaço, no esgotamento físico aplicar as referencias que davam sentido ao bicho:

Imagem da internet

Imagem da internet

Anotações em diário do processo de criação 

As coordenadas me guiavam na construção de partituras para o personagem e me localizavam na cena. Com isso pude ter noção do que estava fazendo e trocava a ideia com outros atores para chegar a um sentido:
- corcunda
- leveza
- olhar sombrio
- sair voando depois de ser expulso
- ficar em cena
- dar o texto sem presa
- eu sou um orador
- outra voz pra dá o texto
- boca aberta com lábios bicudo
- eu como carne humana, sou um abutre
- olhar sombrio, assustador como se fosse atacar alguém

Exercício físico para a construção do personagem

Essas coordenadas são rastros que sustentam a ideia um devir do personagem. Construía uma memoria das ações, do que adquiria e aplicava no meu corpo:

“A memoria é um espaço e o tempo da criação. E só nos serve se convertida em carne, corpo vivo, intenso. Mesmo fragmentária, permitindo respiros, pausas, fluxos, refluxos, pequenos confortos, a intensidade e a plenitude não podem ser contínuas. Não é possível conservar e alimentar a intensidade em tempo integral.” (Ana Cristina Colla. Caminhante, Não Há Caminho. Só Rastros.   2013, p. 21)

Outras informações referente ao espetáculo:

Entrevistas e teaser sobre o espetáculo "Animalismo - A Nova Ordem Mundial"








Fanpage de Animalismo, acesse aqui
Notícia no Portal da UFPA

Fotos:









Desta vez a revolução ocorrerá nos dias 2, 3, 9, 10, 16 e 17 de maio, no Fórum Landi (em frente à Praça do Carmo), sempre às 19h.
Ingressos à R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 7 (para alunos da UFPA).

Direção: Marcelo Andrade
Dramaturgia: Elise Vasconcelos, Marcelo Andrade e Kauan Amora
Preparador de Elenco: Allan Jones, Fabio Limah
Iluminação: Enoque Paulino e Paula Nayara
Figurino e cenografia: Kevin Braga
Músico: João Urubu e Vitória Porpino
Produção: Laíra Mineiro e Stephanie Lins Lobato
Assessoria de Imprensa: Brunno Gustavo
Vídeos: Paulo Evander

Elenco:
Anderson Monteiro, Anne Beatriz Costa, Bernard Freire, Bruno Rangel, Brenda Paixão, Danilo Rocha, Diana Klautau, Fábio Limah, Isadora Lourenço, Larissa Xavier, Lennon Bendelak, Marília Berredo, Paulo Evander, Paulo César Jr., Kahwana Pantoja, Karimme Silva, Renan Coelho, Raoni Moreira, Selma Salvador, Thainá Cardoso, Tete Jorge, Thamires Costa, Gladson Siqueira.

sexta-feira, 18 de março de 2016

ARTIGO PARA O CADERNO DO DIRETO DA DISCIPLINA EXERCÍCIO DA CENA III - ENCENAÇÃO

Este artigo apresenta o processo de produção do monologo Tereza. Mostrando a trajetória de criação da cena que teve a direção de Bernard Freire e atuação de Cleber Cajun. O processo foi desenvolvido a partir do texto “Os três mal amados” de João Cabral de Melo Neto para a disciplina Exercício da Cena 3 – Encenação, ministrada pelas Profª Dra. Wlad Lima e Ivone Xavier, disciplina integrante da matriz curricular do Curso de Licenciatura plena em Teatro da Universidade Federal do Pará – UFPA.

“Criar a sua observação, as suas ideias em dialogo com o processo de produção. Cartografar pistas e meter a mão na massa”. Essas são apenas algumas das obrigações que o Encenador deve ter para se ter uma ideia; obrigações que surgiram para mim durante a disciplina Exercício da Cena III – Encenação, ministrada pelas Profª Dra. Wlad Lima e Ivone Xavier no curso de Licenciatura em Teatro na UFPA. Essa disciplina teve como indutor o texto “Os três mal amados” do João Cabral de Melo Neto para discorrermos sobre a criação artística de percepção diante do texto. Ao ler, a narrativa se dava em torno de três personagens que dialogavam com a existência do infinito; com um caleidoscópio de palavras amarradas a uma linha em frase. Entendimento sobre o amor, a vida e o mundo definido em pequenos detalhes.
Ao ter autonomia sobre o texto, quebrei a forma de entendimento que as palavras ordenavam. Busquei através das inquietações uma captação de novo sentido do texto. Troquei dúvidas por afirmações e fiz suscitar todas as palavras verdadeiras que geravam questionamento. Fui por meio de sentimentos que surgiam através da leitura; rabisquei ideias e modifiquei o plano do personagem. Sobrevoei em busca dos entendimentos.
Pista1 – Caleidoscópio de palavras: primeira impressão do texto

Pista 2 – Plano de pensamento do personagem


No texto, escolhi o personagem João para trabalhar e usa-lo com autonomia em minha criação. Partir de suas dúvidas amorosas e por sua busca incessante por Teresa; amada que lhe qualifica como ser estável a condições imaginativas. A cada sentido de palavra procurava observar a qualidade dela numa encenação. Tentava perceber por de trás das frases o que o ator poderia trabalhar.
Criei pista, rabisquei o plano cenográfico. Busquei Tereza no infinito; num léxico de palavras que as interrogações me trazia. Tirei da minha memória as transformações que o texto me empurrava. Modifiquei o texto por um mapa, criei movimento; investiguei casos em torno das palavras. Pelas pistas desenhadas cartografei o mapeamento de encenação: “As pistas que guiam o cartógrafo são como referências que ocorrem para a manutenção de uma atitude de abertura ao que vai se produzindo e de calibragem do caminhar no próprio percurso da pesquisa” (KASTRUP; BARROS, 2009, p. 13).
Descrever sobre o processo de criação e dialogar com a obra do autor. Ter uma leitura com suas próprias visões e perceber o que nos chega para assim se poder trabalhar. Mesmo sem saber o que poderia acontecer, procurei me ater a receber os pensamentos de João; joguei para encenação, compus ligações com meus registros e compartilhei a recriação da obra. Escolhi o ator Cleber Cajun para encenar e junto montarmos um monólogo que apresentasse o personagem nos três planos da atuação. Me fiz presente, ordenei casos, revir escolhas; tratei das minhas induções como se quisesse entender do ciclo infinito das palavras.  

 
Pistas 3 e 4 – Modificação das dúvidas por afirmações

João descobre dúvidas-afirmativa. Mostra variações dos filtros; perpassa por planos e busca por Teresa. Se perde no caleidoscópio e transgride em situações. Percorre por amores-ilusões-loucuras-sentidos-dores que nasce das perguntas que lhe fazem viver. Risca caminhos que sempre o entrelaça com Teresa. Você realmente vê Teresa?
JOÃO
“Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido (penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o afugentou, porque os sonhos são como as aves não apenas porque crescem e vivem no ar)”.

Dei liberdade aos sonhos, procurei ver que sentidos eram esses em que João se transbordava. Representei o infinito de distância cercado pelo mar que engoli a dor do personagem. Percebi Tereza num vislumbre que voava junto aos sonhos, que ao chegar ao céu, caia no mar e se afundava junto às dúvidas de João. Mergulhava e voltava num suspiro a procurar de ar, de se manter descansando nas ondas que oscilam o amor. Durante os ensaios, pedia para que o ator me apresentasse o que ele tinha observado através do texto; o que tinha absorvido das pistas e que havia imaginado. Onde poderia estar João nesse mundo?
Através do material que tínhamos imaginado, colocamos o texto de lado e tentávamos criar uma imagem que mostrasse Tereza, o amor presente que João deixa nas frases materializadas. No primeiro encontro passamos por exercício em que buscávamos o estado do personagem, um louco de amor, um individuo jogado no mundo, naufrago, etc. Com essas ideias buscamos o plano de existência de João e fechamos um tipo de personagem que tínhamos tirado das frases do texto.
No segundo encontro tínhamos apenas a ideia do personagem, mas ainda não conseguíamos encontrar um louco que mostrasse a existência do amor dilacerado. Foi então que partimos para a fonte que alimentava as ilusões do personagem: Tereza. Ela seria o mistério que assombrava as dores, o sufocamento em poesia e o desbravamento em pensamentos. Imaginamos Tereza sobrevoando os sonhos de João, presente em sua observação no cotidiano; uma deusa que deixa João entregue ao amor em um corpo que já não responde as vontades próprias. Trouxemos Tereza em um vestido voando sobre os olhos do personagem e que ali o jogo se desenvolvia para a cena.
Antes da apresentação tinha pensado em um lugar adequado para a cena: Portal da Amazônia Belém –PA. Uma praça que fica de frente pro Rio Guamá onde a vento, luz e pessoas passando. Ali se desenrolou um universo onde o amor se decompunha no imenso rio. Montamos um cenário que havia pensado e junto com o trabalho do ator modificamos o espaço para uma instalação cênica ao ar livre. Ele me apresentou um objeto de cena e um figurino que deixasse claro o estado do personagem. 
Pista 5 – Local da apresentação da cena (Portal da Amazônia)

Durante todo o processo sempre pensei nos delírios da personagem. Nas aulas, criava pistas que pudessem chegar ao que havia imaginado. Entre as ideias e os desenho, criei uma cena que buscasse todos os pensamentos que passavam na hora em que lia e que montava junto com o ator a apresentação. A cena se deu ali, na praça, e tudo que vivenciamos nesse processo o resultado respondeu a um processo de encenação que despertou um grande olhar em mim. Uma observação de diretor bem detalhada, com uma cartografia detalhada da cena. Busco guarda essas referencias em outros processos, pois torna uma encenação bastante rica para o processo de criação teatral.


Fotos do vestido, objeto de cena na apresentação.

Vídeo da apresentação da cena

REFERÊNCIAS

PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.) Pista do método da cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Grupo InquietAÇÕES

Grupo de Pesquisa e Extensão InquietAÇÕES: arte, saúde e educação
Descrever sobre o ensino nas escolas e desdobrar suas funções, obter conhecimento através de referencial teórico, planejar através da aula-teatro um conteúdo educacional, ensinar e receber informações com diferentes profissionais da educação que experimentam do ensino-aprendizagem para uma qualificação dos estudantes. Essas foram algumas das formas que o Grupo Inquietações trabalhou durante a realização do Programa de Apoio a Projetos de Intervenção Metodológica (PAPIM). Durante dez meses o grupo se lançou no projeto com o objetivo de levar através da arte teatral uma forma de se trabalhar com outro olhar. Modificando em apresentações a relação de professor-aluno sobre temas como: Medicalização, que busca falar das doenças existentes nas instituições de ensino do Brasil. 

Nas atividades de campo levávamos aos professores um dialogo do uso do medicamento, de como eles observavam os alunos dentro dos rótulos (patologia, autismo, TDH, dislexia, TOD) e tinham como referencias os tipos de comportamentos dos estudantes. Para se trabalhar com uma nova forma de ensinar, o grupo durante os encontros pesquisava uma forma de atuar com os estudantes. Trazíamos referencias das escolas e dos tipos de comportamentos e aplicávamos nas aulas de teatro o material coletado das observações para um novo ensinar sobre esses comportamentos.

Avanços teóricos, experimentais e práticos obtidos: 
As aulas de expressão teatral levaram o Grupo Inquietações a outro estado de percepções onde as criações dos sentidos mostrassem o grupo numa vivencia além da abordagem da informação. Foi através de exercícios de improvisação e criação de cenas que descobríamos uma forma de levar o debate da medicalização para as escolas e ruas. Trabalhávamos com nossas imaginações, partindo da seguinte pergunta: o que é que me inquieta? Essa pergunta foi um mote disparador para termos uma ideia do que poderíamos trabalhar durante nossos encontros. 

Imaginação, corpo, improviso, histórias de vidas e arte educação; no inicio tirávamos dessas palavras um leque de conhecimento do que queríamos levar para as escolas, quem iria nos assistir e como levaríamos a informação para o outro. Foi através dos jogos teatrais e da participação coletiva que descobríamos fazendo como eram os usuários e as pessoas diagnosticadas com algum tipo de transtorno. 


Integração do Projeto PAPIM com o ensino, a pesquisa e/ ou com a extensão: 
No inicio mostrávamos o que sabíamos, como era a reação das pessoas, onde isso interferia e como chegava à observação do outro. Tivemos como referencia um espaço (sala de aula) para entrar num cenário em que era possível diagnosticar os casos que trazíamos para os nossos encontros. Onde os casos surgiam? Em que lugar ele poderia ser observado? Foi através do autismo, da imperatividade e da ausência de sentidos que desdobrávamos para outro lugar. Desdobrávamos nossas criações de cena partindo da ideia de pesquisa-ação; colocávamo-nos como meros reprodutores da informação, como personagens existentes nos espaços de socialização: 

 "Entendida como uma ação que visa a mudanças na realidade concreta com uma participação social efetiva, a pesquisa-ação crítica está centrada no agir, através de uma metodologia exploratória, tendo seus objetivos definidos no campo de atuação pelo pesquisador e pelos participantes. Seus resultados estão vinculados à tomada de consciência dos fatores envolvidos nas situações de vida imediata e na participação coletiva para a mudança da ordem social. A identificação de problemas e possíveis soluções e o estabelecimento de programas de ação constituem procedimentos que podem ser utilizados com a ajuda de técnicas tradicionais como as da pesquisa documental, dinâmicas de grupo, informações vivas e opinativas dos participantes". (BRANDÃO, 1987) 

Nossas aulas se transformavam num espaço de compartilhamento de ideias, numa intervenção teatral. Éramos opressores; oprimidos sem causa num espaço de aprendizado. Com as ideias que surgiam nos encontros, montávamos situações cotidianas que passassem uma informação do que queríamos trabalhar. Sempre nos ensaios colocávamos questionamentos, inquietações do nosso posicionamento como humano, como cidadãos. 

Efeitos do Projeto PAPIM na reestruturação e qualificação de cursos de graduação e na atualização de seus Projetos Pedagógicos: 
Para se chegar a um bom resultado partimos da pesquisa como indutor da busca de fatos para uma formação profissional e educacional. O grupo inquietação que tem como maiorias participantes discente na formação de educadores, busca relacionar através de suas aulas praticas uma nova formação através da arte. Levantando um novo questionamento no curso que amplia seu conhecimento além da ementa da grade curricular. Elaboramos através da aula-teatro uma nova qualificação, tendo o entendimento do ensino a partir da ação; fazendo e aplicando o conteúdo nas salas de aula e intervenções artísticas. 

Durante as aulas de expressão mostrava uma mistura de exercícios teatrais desenvolvidas a partir dos jogos teatrais do livro “Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin”, que traz cartas de dinâmicas e jogos para ser aplicado em um grupo de teatro, e buscava informações no livro “Jogos para atores e não-atores” do Augusto Boal que apresenta formas de fazer teatro para qualquer publico e em qualquer espaço. A ideia era sempre entrar num jogo e desenvolver uma cena partindo dele. Buscava despertar o interesse teatral nos participantes do projeto e socializar o aprendizado entre o grupo, buscando incentiva-los a conhecer mais sobre a arte cênica por meio de técnicas corporais, leituras e criações. 

Com esse planejamento, buscava ferramentas para desenvolver o que tínhamos como ideia. Junto ao grupo, transitávamos com o teatro a partir da realidade em que o aluno vivia e como a escola apresentava essa vivencia. Tínhamos coletado um bom material para trabalhar. Misturávamos para apresentar um bom resultado através dessas discussões, jogos e a vivencia com a turma. Foi através desse pensamento que pretendíamos aplicar nossas discursões nas escolas. 

Com os exercícios realizados nos encontros do grupo, montamos duas cenas: a primeira foi uma intervenção na rua que existiam vários tipos de sintoma em que cada um se libertava das correntes que lhe prendiam a doença; a segunda se passava numa sala de aula onde os alunos eram diagnosticados pela coordenadora com vários sintomas que se sujeitavam ao comportamento do cotidiano das crianças. Com as cenas, mostrávamos para o publico de professores uma visão do que realmente acontecia nas escolas e logo em seguida entravamos numa conversa para encontramos uma solução para ser aplicada no ensino das instituições. 

Efeitos do Projeto PAPIM junto a Sociedade: 
Levar a educação para além dos muros da universidade foi um dos objetivos do grupo. Durante esse processo vivenciamos em três escolas processos diferentes do nosso planejamento de ensino, e achamos importante falar delas em nosso relatório. Junto com os professores percebíamos uma nova forma de lhe dá com os problemas recorrentes nas escolas; nelas mantínhamos um novo dialogo. Paulo Freire na sua obra “Pedagogia da autonomia” diz que o dialogo e a melhor maneira de produzir conhecimento e libertação, pois e um meio de comunicação onde se permite fazer questionamentos através de criticas construtoras e transformadoras. 

Ao final de cada apresentação da Aula/Teatro o grupo abria para uma roda de conversa e debater sobre o tema da medicalização da educação, usando como artificio introdutório algumas perguntas disparadoras para iniciar o debate. Dessas perguntas juntávamos a comunidade com os acadêmicos numa formação de ideias. Transitávamos entre teoria-pratica-vivencia para desenvolver um dialogo que apresentasse um caso. Dele tirávamos a total observação enquanto estudo. Como solucionar casos existentes na sala de aula? Dessa pergunta disparávamos ideias para um resultado. Modificação do mostrar, ensinar. 

Assim, a comunidade externa compartilhava de suas vivencias o conteúdo mostrado nas apresentações. Traçando o um fio-contudo que levasse a pesquisa feita nos encontros do grupo para o alcance das escolas. Foram relatos de experiências que com nossas atividades e conversas trocávamos, ensinávamos e recebíamos uma nova possibilidade de recepcionar os alunos. 


Das atividades feitas além do muro da universidade, tivemos como resposta um grande conteúdo de informações para aplicar em nossos trabalhos: mudança de cena; novas formas de aplicar o ensino; efeito da atividade nos alunos; como eu comunico o outro. 









As apresentações das cenas trabalhadas na universidade foram levadas ao publico em locais como: escolas públicas da rede estadual e três intervenções em outros espaços. A primeira aconteceu no Fórum Internacional de Saúde Mental ocorrido no dia 25 de março de 2015 na UFPA, a segunda na praça da república no dia nacional de luta antimanicomial ocorrido no dia 24 de maio e a terceira no Solar da beira no dia 28 de maio de 2015.

Grupo InquietAÇÕES
Coordenação: 
Lucia Lima
Participantes: 
Bernard Freire
Suellen Ferreira
Dayane Brandão
Paulo Almeida
Laura Norat
Nathália Dourado
Amanda Corpes
Débora Amanda
Thayná Marques 
Antonio Denis 
Priscila Anjos

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Entre rosas, vento e a deslocação da arte

Crítica teatral do espetáculo ''ROSA DOS VENTOS: Entre Miragens e Mirações'' da Trupe Perifeéricos.


A sombra dança na tela cujos movimentos desenham imagens. São corpos dilacerados por um foco de luz que se esbarra no lençol.  É a energia antes de entrar em cena, é um silencio de imagem. É a expressão que brinca com sons, é aquela ansiedade que só se acalma quando a luz apaga e o filme começa. É a caixa preta high tech, é a ''ROSA DOS VENTOS: Entre Miragens e Mirações''. Espetáculo montado pela Trupe Perifeéricos que convida o público a entrar numa fábula de magias e encantos. Se perdendo entre flores e poesias. Modificando a presença do ator entre realidade e mídia. Substituindo o palco pela tela, onde a cenografia apresenta o real-ficcional, um filme que está sendo gravado agora.
Dentro dessa caixa a Trupe se desconfigura em atuação, desobedece à comunicação presencial, muda o foco, te coloca em outros horizontes e te faz perder a vida de perto. Traz uma dramaturgia marcada pelo vídeo que logo surge em cena onde o teatro vivo fica suspenso e acaba sendo uma ilusão. A Rosa é esse deslocamento, não tem ponto fixo, é perdida no vento. É uma miragem que coloca o público num sonho, mistura o som com o olhar do caleidoscópio e brilha na explosão da informação, é “multiplicação de signos no aparecimento de formas e no retorno do artifício que se anuncia como tal”. (AMIARD-CH EVREL, 1990, p. 10)
O espetáculo começa sendo rodado numa projeção onde o corpo do Dermond se distorce, mostra um desentendimento de lugar, eleva o pensamento e se bagunça como o vento. Esse desentendimento de lugar mostra uma reconstrução teatral, coloca um vídeo no meio do palco e se sustenta em duas linhas que converge entre história e espaço. Coloca o público no ar, voa, traz de volta para cena e abre para mundo. Onde se dá o espetáculo? O que estou assistindo?
A presença de duas linguagens tira um e põem outro, balança no real-ficcional, substitui o texto teatral pela utilização de recursos audiovisuais como prática de dialogo. Mostra uma bagunça de lugar e deixa o sentido das assombrações no silêncio do palco, bem quieto e só se apresenta quando os atores estão em cena. Traz uma verdade bem disfarçada que a projeção esconde na retina. Ali ela se expande e coloca o teatro como reprodutor da fábula; mostra quem é soberano e faz tudo isso funcionar colocando em evidencia sua influencia no nascimento da sétima arte.

Bernard Freire 
22.03.2015 

Referência Bibliográfica
AMIARD-CH EVREL, Claudine.Frèresennemis ou fauxfrères? (théâtreetcinéma avant leparlant). In: Théâtreetcinémaannéesvingt. Tome 1. Paris: L’âgeD’Homme, 1990, p. 10.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Rosácea das forças

Eu canso quando o som ao redor se expandi dentro de mim. Mostro ausência de sensatez e me cubro de metáforas aglutinadas na minha imaginação. Busco um revés que modifica os estreitos caminhos oblíquos da rotina. Paro. Sufoco em pensamentos. Desabo em poeira soltas que invadem minha retina. São tempos rápidos e o entendimento dessa situação gera um caos nos poros que aniquilam o individuo. Tudo é confuso. Bagunça encaixotada. Energia esquálida derradeira. Movo, prendo-me a mim mesmo. Observo o andamento das paredes e caio no chão que sustenta o mundo. Tudo é frenético. Ausência de motivação. Grito escorado nas cordas vocais. Vazio cintilante que acompanha a rotina. Circulação interrompida pelo espaço. Olho de dentro e não enxergo nada. Tudo é fato. Choro trancado. Batimentos que soltam os brilhos invisíveis. Palma. Estabilidade caminhante. Encadeamento imóvel. Até aqui o silêncio busca um confronto com ele mesmo. Por de trás, visões encandecestes que te sustentam na linha cotidiana. Fluxo de sentimentos. Pedaços embrulhados num lencinho de papel. Ar codificado de gases. Movimentação psicodélica. Tudo é misturado, andamento retardado, choque de explosão do intestino.
27/08/2015 

*Rosácea das forças: "trata-se de um espaço direcional adaptável a todos os movimentos do homem, sejam eles físicos ou psicológicos, um simples movimento do braço ou uma paixão devoradora, um gesto da cabeça ou desejo profundo, tudo nos leva ao 'empurrar / puxar'". (O corpo poético - Jacques Lecoq, 2010)