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terça-feira, 12 de abril de 2016

RESUMO

Este resumo trata da monografia de conclusão do Curso de Licenciatura Plena em Teatro na UFPA sobre o título “Trajetória de Mim em Diário de Bordo: cartografia poética de formação de um artista-professor-pesquisador em teatro na ETDUFPA/ICA/UFPA”. A monografia, sob orientação da Profª Drª. Wladilene de Sousa Lima, mostra o trajeto da minha formação como artista-professor-pesquisador, apresentada em formato de blog, disponibilizado na web. Toda a minha escrita parte dos processos vividos em sala de aula e vai para além dos muros da universidade, com o desejo de revelar as multiplicidades desse dispositivo no processo ensino/aprendizagem da minha criação e projetar o desdobramentos, em obras e reflexões críticas, de postagem indutoras à novas criações.


DEDICATÓRIA e AGRADECIMENTOS

Dedicado: ...à Deus, a imaginação e ao mundo.

Agradecimentos: ao casulo da família, ao meu pensamento artístico por vocação, aos lugares artísticos: antigo grupo de teatro e coro cênico da UNAMA, A Casa da Atriz, A Casa Dirigível, as ruas e calçadas e aos pontos de arte e comunicação de saber, aos grupos e extensões que me direcionaram a esse fazer teatral. A turma de Teatro 2012 (Travestruzes, Disney, Ratas); aos coletivos: ENECOS e Vamos à Luta; aos amigos artistas dessa cidade de Belém. Aos amigos: Tiago Júlio, Cléber Cajun, Mônica Gouveia, Rogério Guimarães, Adriano Abbade, Raynéia Machado, Júlio Miragaia, Evelyn Loyla. A toda forma de se viver nesse mundo, aos passos lentos, as ocupações, aos livros, as rodas de conversas nos bares, ao silêncio sonoro, aos momentos de produção e conhecimento de cada tempo, a juventude, as artes invisíveis, aos projetos que apareceram nesses anos de curso, ao ENEARTE, as aventuras que se tornaram histórias memoráveis. A Magaly Caldas pelo companheirismo, ensinamento e ideias sobre a geografia do mundo. As raízes de pensamentos que se firmaram nos caminhos da pesquisa.  Aos blogs:

Teatro Cláudio Barradas - http://teatrobarradas.blogspot.com.br/
Rhuanne Pereira - http://www.rhuanytta.com/
Blog Psicodélica Imaginária ¬- http://psicodeliaimaginaria.blogspot.com.br/
Instituto de Ciência das Artes/ICA/UFPA - http://www.ica.ufpa.br/
Douglas Cirqueira - http://douglascirqueira.wix.com/

As viagens, a vida universitária, as pesquisas e desbravamento dos dias, aos amores que davam a real importância de viver o ciclo acadêmico. A ação, a modificação dos dias, a mudança por passos lentos, ao espaço visto da janela, aos cantos, a vida acadêmica e expressões de conhecimentos, aos professores que toparam a proposta da pesquisa, ao destino que se segue agora, a revolução da arte, da vida, ao esgotamento da mente, corpo, liberdade do ser, a catarse, a tudo isso aqui agora. 


EPÍGRAFE

“Sejam quais foram as motivações pessoais que o trouxeram ao teatro, agora que você exerce esta profissão, você deve encontrar um sentido que vá além de sua pessoa, que o confronte socialmente com os outros”. 
Eugênio Barba. Além das ilhas flutuantes, 1991


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

AZEVEDO, Luciene. Blogs: a escrita de si na rede dos textos. Matraga, Rio de Janeiro, ano 14, n.21, p. 44-55, jul./dez. 2007.

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
BARTHES, Roland. Essais Critiques. Le Seuil, Paris. [Trad. bras,. Perspectiva, São Paulo, 1970.

COLLA, Ana Cristina. Caminhante, não há caminhos. Só rastros. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2013.

DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 1 / Gilles Deleuze, Félix Guatarri; tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição). 128 p.

DELEUZE, Gilles. O ato criador . In: Dois regimes de Loucos. São Paulo: 2016. Ed. 34.
FLUSSER, Valém. O mundo codificado: por uma filosofia do designer e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

KEMP, Kênia. Corpo modificado, corpo livre?. São Paulo: Paulus, 2005.
LE BRETON, David. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Campinas: Papirus, 2003. 240 p.

LEÃO, Lucia. O labirinto da hipermídia: arquitetura e navegação no ciberespeaço. 3. Ed. São Paulo: Iluminurias, 2005.

LIMA, Wladilene de Sousa. A nascente da rede teatro d@ floresta. PROJETO DA REDE TEATRO D@ FLORESTA, 23 jun. 2009. Disponível em: http://teatrodafloresta.blogspot.com.br/2009/06/blogs-dos-artistas-da-cena-da-rede.html Aceso em: 04/10/ 2016.

MATUCK, Arthur; ANTONIO, Jorge Luiz. Arte Mídia e cultura digital / Arthur Matuck, Jorge Luiz Antonio [organizadores]. - São Paulo: Musa Editora, 2008.

MARTINS, Beatriz Silva. Autoria em rede: os novos processos autorais através das redes eletrônicas. 1 ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2014.

PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.). Pista do método da cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

SALLES, Cecília A. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 1998.

SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: a alquimia dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais- 2. Ed. – Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.

SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo – Rio de Janeiro: Contraponto, 2016.


LÉVY, Pierre. O que é virtual? – Tradução de Paulo Neves. São Paulo. Editora 34, 2011. 

Nascente hipermidiática

A integração de diferentes linguagens artísticas busca uma significação única; nascem informações em cada ponto que nos levam a novos processos de aprendizagem. Vivenciamos acontecimentos da geografia a qual estamos inseridos, somos homens-uno de uma totalidade, composição de conhecimentos que crescem com novas coordenadas. Construímos registro da essência que invade nossos poros, transpiramos com o ar que nos cerca. Somos levados pela web e deixamos rastros de nossa concepção de individuo.

A cartografia artística digital implica processos de um acontecimento que vai registrando uma tomada de ideias para o conjunto de pensamentos que se transfiguram com a cena local. É com essa cartografia que temos que nos emocionar. Tudo vai passar, acabar, mas o registro ficará. O blog vem como um apoio para esse pensamento que emerge do saber-fazer, ele implode formatos, nos livra dos automatismos culturais e acadêmicos, se torna um órgão, um corpo virtual em rede jogada no espaço.

Nesse sentido, posso dizer que as ideias que me passam são as de atravessar nessa nascente hipermidiática e compartilhar os vários meios de informações que estiver me chegando numa reciprocidade. Ser o meio no conjunto e desbravar os conhecimentos criados por diferentes artistas. O blog me dá esse suporte, quebra a forma da escrita lógica, dá um novo sentido e avalia o desempenho da pesquisa. Nele procuro adaptar a cena efêmera que surge em processos criativos, buscando um novo olhar para a produção contemporânea.

O debate e questionamento que busco alcançar se dá em novas formas de contribuição artística. O campo hipermidiático é uma função para a produção profissional que muda de acordo com o que está sendo criado. Coloca o blog como um instrumento transgressor que contribui na criação da obra, nos dá a resposta que procuramos dando continuidade à linha de pesquisa. Avança no conhecimento mantendo as raízes do que se estar fazendo.

Nesse sentido observo que é preciso quebrar com a forma que nos é colocada sistematicamente. É preciso encontrar um meio que nos leva ao objetivo que se está construindo, problematizando a forma permanente das coisas. Mudar radicalmente todos os sentidos entendido até então, levar o objeto pra além da linha que é vista. Ampliar o campo hipermidiático com as criações produzidas que não são vistas socialmente. Buscar cavar no fundo do quintal amazônico o osso que falta para compor o esqueleto do pensamento que nós artistas estamos definindo.

Temos que ver o amanhã com os olhares deixados pelos rastros hipermidiáticos, visualizar a camada que nos cerca, concretizar os sentidos de um novo olhar que surge em cada ponto criativo. Conectar-nos nessa rede rizomática de saberes, juntar os conhecimentos, multiplicar o formato. Temos que nos adaptar ao novo e revolucionar nossas produções, o que vivenciamos durante a descoberta de saberes que surgem do agora.


Seguir esse caminho é o desafio lançado pelos pensamentos da vida artística que respiro. É preciso fazer agora os passos que fazem o mundo girar, aqui a cortina se fecha para montarmos o cenário para a próxima apresentação, o silêncio da coxia agora grita por todo o espaço nesse final de espetáculo. O ciclo se encerra para a montagem de uma nova temporada, a trajetória continua no passar do dia, no nascer do sol que trará novas vidas. Tenho na minha mochila sonhos, vontades de me aventurar e fazer o que me dá prazer. Por mais que eu escape e o momento me sufoque, acharei lugar para respirar e encontrar a liberdade de viver o que realmente sou: artista-professor-pesquisador. Evoé!

>>>Continuar<<<

UM QUINTAL PARA O FUTURO

"Vagarei pela inexistência da cidade,
por sobre os telhados,
sobre a vida que transpira na pele da idade
dos meus 20 anos
de poeta,
de aprendiz
de arquiteto,
menino de sonho
e ossos no universo de um quintal do Norte.
[...] Outro universo, diverso,
os quintais da cidade
de cercas paredes e muros: geografia escolar.
[...] Todos, contudo, quintais do homem.
Pois, o mundo é grande,
o quintal é grande."
(Os Quintais, Arquitetura dos Ossos, Age de Carvalho, 1990)

Submeter todo o conhecimento adquirido nesses anos de formação e construir um caminho a seguir para novas produções futuras. Guardar toda a experiência vivida no coração para que no dia de amanhã renasça uma esperança de uma ideia de saberes. Ser conduzido pelas produções e pesquisas elaboradas na minha trajetória de artista-professor-pesquisador na universidade e percorrer por entre os pensamentos existentes na cidade, na Amazônia e nos lugares onde o vislumbramento da poesia me tocar.

Basear-me nos sentidos, na cartografia permanente do meu ser. Levar através dos métodos adquiridos a importância do teatro. Trilhar, mapear e vir a ser os pensamentos que me transbordarem. Deixar a prática narrativa e seguir o percurso da criação artística onde eu estiver presente, amarrar novas ideias e sustenta-las no blog como fonte de referencias para a conexão com novas linguagens de consentimento artístico e social.

Transfigurarei-me em novas imagens para me adaptar ao cotidiano, ao mercado sistemático de produção. Irei buscar novas fontes para tentar entender como funciona o mecanismo; conectar-me-ei com os grupos, artistas, instituições, escolas, comunidades e pessoas que transpiram um novo movimento da atual conjuntura social. Ser um raciocínio que dialogue com outras produções e contribuir com o jogo que a vida lá fora pede.

As ideias de um futuro melhor chegam a mim nessa conclusão de um ciclo acadêmico, quero ter forças para concretizara-las. Tenho motivações de continuar os rastros da pesquisa no avanço acadêmico, numa pós-graduação, mestrado, doutorado e o que a educação teatral me servir como fonte de sobrevivência nesse planeta. Agora estou conectado em rede, em uma plataforma que sustenta as minhas criações, obras teatrais, a minha vida artística presente que servirá como referencias para gerações futuras a mim:

A prática narrativa sobre processos de criação é híbrida na sua formatação: histórias de vida, memórias, diários de trabalho ou de bordo, autobiografias e, contemporaneamente, sites, blogs e biomídias. Mas é, hipoteticamente única, em seus princípios: vencer a natureza efêmera da cena, compreendendo-a em seu processo de criação, como um legado artístico para as futuras gerações de criadores - Wlad Lima. Postagem: A nascente da rede teatro d@floresta (Blog Teatro da Floresta 23/06/2009).

Com essa grande referencia, se não rastro deixado por Wlad Lima, é que busquei firmar-me como pesquisador e aplicar no meu trabalho de conclusão de curso os fundamentos e a importância de se criar registros e sustenta-las em um blog. Wlad esteve presente no meu ingresso no curso, foi com ela que tive a primeira aula em que foi me apresentado à proposta de criação de um blog para se ter como ponto de apoio e registrar o processo vivenciado durante a formação. Recebia dela concelhos, puxões de orelha e um olhar que já me transmitia a ação do jogo da cena teatral. Parto de sua grande referencia de pesquisadora em teatro para dá continuidade nesse saber-fazer amazônico, nessa floresta de encantamento em que o meu coração grita a existência de um ser que respira essa fonte.

O material produzido está publicado em rede, sãos pistas[1] que dão norte a pesquisa, multiplica sentidos futuros, traz a tona a construção do ser, busca informações que a complementam no progresso da produção. Encaixa o pensamento na formação de conteúdos, no progresso de um profissional em teatro. Faz o raciocínio se manter em conexão com a experiência vivida, procura analisar os fatos que vem a acontecer cotidianamente na elaboração de novos trabalhos artístico.

Um quintal para o futuro é atravessar e se desafiar. Buscar ultrapassar com um objetivo. Fazer o traço e partir em caminhos. Se dividir, multiplicar, fechar. Achar o caminho que te traga pra dentro da terra. Se manter no ponto de apoio da pesquisa, no saber-fazer teatral da minha região, falar sobre o teatro que tá acontecendo atualmente aqui. Desbravar o universo de um quintal do Norte. Mostrar uma rede de comunicação com artistas da cidade, uma mobilização artística que dialoga sobre o saber-fazer teatral contemporâneo. Expressar na mídia a ludicidade das histórias de vidas, de sentimentos coletivos e deixar registrado como história da produção humana espetacular.




[1] As pistas que guiam o cartógrafos são como referencias que ocorrem para a manutenção de uma atitude de abertura ao que vai se produzindo e de calibragem do caminhar no próprio percurso da pesquisa – o hódos-metá da pesquisa.

Pesquisar ou viver?

Não se pode separa as unidades, as duas coisas estão na passagem do dia. Ganha-se, perde-se. A produção do conhecimento e de novas formas de evoluir o mundo corre com o tempo de nossas vidas, seguimos com os passos de nossas experiências. Amadurecemos com cada informação, buscamos relacionar a pesquisa e a vida para adaptar todos os meios que fazem as coisas funcionarem.

Na pesquisa em teatro tudo joga de acordo com um caminho futuro que se conecta a trajetória percorrida. Tudo influencia, o percurso das linguagens se transforma em um plano de consistência da produção acadêmica. A ideia se torna visível quando colocamos em prática toda a situação que percorremos. Pesquisar é viver, viver é pesquisar. Quando temos o impulso certo acreditamos no que tornamos real e vamos mantendo o seu caminho. Temos que fazer a coisa acontecer, produzir com o conjunto, juntar todas as formas pra readaptação do que estamos fazendo.

O trajeto precisa fluir de acordo com a adaptação do corpo no processo. Ir no tempo da pulsação do curso, no tempo do espetáculo, nas forças de ligações de sentidos. Na tua concepção de escolha no destino, na vida pessoal, na tua trajetória e nas coisas que acreditamos pra nossa própria existência de artista-professor-pesquisador:


Aqui me apresentei como homem de teatro. Tenho o construir nas minhas mãos, o silêncio como entendimento e a vivencia como esperança. Me relacionei com autores que compartilharam a mesma sintonia de vida na que divago. Vivenciei na rua, na caixa preta, espaço experimental e no meu intimo. Só para ter o outro olhar. Atuo em qualquer parte. Performo entre paredes a céu aberto.  Reconto histórias, me perco no processo, paro de funcionar. Tento fazer alguma coisa de útil na minha vida. Faço arte. Cresço. Evoluo. Prossigo. Avanço. Conquisto. Postagem: Congratulações (Blog Corpo Palavra 30/03/2015).