Performance midiática apresentada como defesa de dissertação para a obtenção do titulo de Mestre em Artes do Programa de Pós-Graduação em Artes da UFPA.
A performance procura mostra os sentidos das informações em variadas linguagens midiáticas e tecnológicas que converge entre o real e o virtual, experimentando suas possibilidades para além do uso comum da espécie.
Pretende-se
apresentar nesse capítulo, o roteiro da cena performática a ser realizada no
dia da defesa, como forma de apresentação de uma das partes de realização das
minhas criações. Agindo sobre uma ação performática organizada a partir de uma
ideia para que se possa elaborar uma criação artística do que vivenciei e
experimentei durante os processos. A cena mostrará um ambiente muito particular
que procuro desenvolver em meus processos.
Para
apresentar, pensei na sala 1 do PPGARTES, como lugar desse registro onde a
performance acontecerá. Mostrando o meu cotidiano desde o acordar até o momento
da defesa, numa sinestesia da criação e registro da obra. Valendo-se de todas as
referências que me atravessaram e me levaram até ali, na conclusão do mestrado.
Roteiro da performance
Sala
1, 17h07. Um pequeno despertador está posicionado sobre a mesa. Pego ele e
programo o tempo estimado para a performance. 22 minutos. Nesse instante, aciono
um imaginário criativo das palavras. Trazendo na ação o que se foi planejado
desdobrando-o em ato criativo o conjunto dos movimentos registrados.
MOVIMENTO 1: Ao chegar no PPGARTES, dou inicio ao ato
performativo da ação. Produzindo o movimento dos pensamento e concretizando o
que se foi planejado. O horário de chegada será às 10h da manhã do dia 28/06,
para que eu possa me instalar e organizar o espaço.
MOVIMENTO 2: No
ambiente, foco de luzes adaptada ao espaço; numa parte da parede uma projeção em
fragmentos mostrará o cotidiano e atravessamentos desde o despertar do dia. Um
radinho a pilha estará ligado baixinho para apresentar as informações da cidade
em tempo real. Na sala, os sons e a projeção se juntarão ao conjunto numa
sinestesia da realização performática.
Enquanto
a performance acontece, uma cafeteira estará ligada preparando café durante a
ação para que o cheiro se espalhe pela sala (pensasse em outra coisa como
menta, mato, aromas naturais, outro contato).
MOVIMENTO 3: Luzes
coloridas para iluminar a sala. Uma LIVE no Instagram feita pelo celular
transmitirá os 22 minutos da performance em vários cantos da sala. Uma câmera
fotográfica irá ficar posicionada em um canto registrando o desenho com luz que
se formará nesse ambiente.
Nesses
22 minutos, estarei finalizando o mestrado e apresentando em fragmentos, o que
foi suscitado nesse percurso da pós-graduação.
MOVIMENTO 4:
Edição e ajuste da dissertação final para o blog palavra-corpo. Impressão em
A4.
Ubu é um personagem horrendo escrito em 1888,
pelo dramaturgo Francês Alfred Jarry, mas que faz conotações contemporâneas da
política do Brasil. Ele não tem escrúpulos, é corrupto e monstruoso. É com esta
abordagem que o Coletivo Imundas estreia na cena paraense. O espetáculo
"I(mundo) Ubu" fica em cartaz de 17 de novembro a 10 de dezembro,
sempre de sexta a domingo, às 19h, no Fórum Landi (Praça do Carmo).
(Gravação para o programa Circuito da TV Cultura PA)
Ubu exerce um poder de líder social, mas de
forma brutal e sanguinária. É através de sucessivos episódios em que se mostra
um verdadeiro tirano, que sua política se revela catastrófica. Utilizando de
sua imoralidade, esse chefe autoritário e sua Mãe Ubu realizam um golpe: um
enorme saque nos cofres públicos.
A montagem pretende levar o espectador ao
debate político, pois colocam em foco todos esses aspectos vivenciados pelos
brasileiros nos últimos anos, como a crise econômica, a corrupção e os
escândalos envolvendo os estadistas. É baseado neste cenário, que os atores
criaram, das maneiras mais absurdas, as cenas deste contexto.
"O espetáculo surge da necessidade de
fazer um teatro político, abordar questões que tocam na vida de cada um, seja
individual ou no coletivo. Temas regionais e nacionais são relacionados com a
obra de maneira a construir a narrativa desse grupo que se reuniu pra
demonstrar sua indignação com a situação bizarra que vivemos na política, o
retrocesso que grupos de extrema direita trazem para pautas no congresso",
explica o diretor do espetáculo, Marcelo Andrade.
O processo de preparação do elenco foi
intenso e contabilizou um ano entre pesquisa e ensaios. Os atores tiveram que
se relacionar intimamente com a dramaturgia. "A ideia é que o elenco
esteja inserido em todas as funções do processo teatral como figurino,
cenografia, iluminação e adaptação do texto. É uma forma de instrumentalizar os
integrantes", conta o diretor.
Focando na preparação corporal como
fundamental meio para alcançar a presença cênica que se espera na montagem, os
atores receberam treinamento psicofísico voltado a técnicas orientais de
preparação e um rigoroso trabalho de resistência física para conseguirem dar
superar quase duas horas em cena.
"A ideia é que o elenco esteja inserido
em todas as funções do processo teatral como figurino, cenografia, iluminação e
adaptação do texto. É uma forma de instrumentalizar os integrantes", conta
o diretor.
O "Coletivo Imundas" nasceu da
união de atores, técnicos e produtores do espetáculo "Animalismo – A Nova
Ordem Mundial", que ficou em cartaz pela última vez em setembro de 2016, e
foi resultado do projeto de extensão "Jovens Encenadores", através do
Grupo de Teatro Universitário, da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Ao final de cinco temporadas, os integrantes
resolveram dar continuidade ao processo de construção de espetáculos que trazem
na essência o debate político, sempre atrelado à experimentação cênica de
vertentes teatrais contemporâneas produzidas regional e nacionalmente. O
objetivo é proporcionar o debate sobre o cenário político e social do Brasil.
(Vídeo essencial para eu, enquanto ator, começar a pesquisa)
Adaptação do texto ‘‘Ubu rei’’ de Alfred Jerry:Cia Imundas de Teatro
Direção:
Marcelo Andrade
Assistência de Direção:
Bruno Rangel
°1 ATO - CENA 1
Conjunto de mães Ubu com irrigadores atirando água e elementos de cena que retratem o mundo sexual. (Coleiras, chicotes, vibradores e etc.) Sequência de movimentos que se adaptam dependendo da Mãe Ubu que esteja em evidência.
Finalmente achei um abrigo.
Atravessar a Polónia em quatro dias de ponta a ponta!
o palatino Giron.
Atravesso o rio a nado, esperando cansar meus perseguidores.
sufocada por um círculo
Consigo finalmente refugiar-me aqui.
Ah! Estou morta de cansaço e de frio.
Roubei dele muita pataca.
E quem quiser que vá buscar.
(Música final do prólogo, faxina, bagunça e show das Imundas)
MERDRA!!!!!
(Registro em diário de bordo da criação da primeira cena)
A culminância entre várias linguagens
artística desbrava sentidos e mostra um novo olhar da cidade de Belém através
de um passeio por lembranças contadas pelas ruas numa projeção de imagens. Essa
é a proposta realizada pelo projeto Reator Eterno do Estúdio Reator que pede
licença para a rua a partir do dia 28 de setembro, às 19h.
(Me conectando com o espaço Estúdio Reator)
O projeto Reator Eterno, contemplado pelo
programa Rumos do Itaú Cultural, procura contar parte das histórias dos Bairros
de Fátima e São Brás em uma performance que mistura vídeo, música, teatro,
fotografia, sobre parte desse local esquecido,e agora revividopor lembranças
contadas entre moradores antigos e novos pertencente aos bairros que escondem
um segundo centro de Belém. Buscando contar a partir de uma linguagem artística
hibrida a memória descoberta por entre quintais e canais esquecidos dos bairros
que seguem os dias da cidade.
Nessa busca, o olhar cotidiano entre o urbano
e periférico se permeia numa cartografia sinestésica e afetiva por vários
trajetos que passam por casas e prédios mostrando um fluxo da passagem de
existência revertido em poesia. O trabalho teve seu indutor nas fotografias e
histórias de vida da família Lima de Queiroz e seus mais de 100 anos vivendo no
número 1053 da travessa 14 de abril. Os artistas participantes do projeto
começaram construindo um mapeamento dos bairros a partir das histórias vizinhas
e criando uma “cartografia poética sinestésica.” Nessa cartografia, o roteiro
dos passeios pelas ruas foram construídos, e agora pedem licença e convidam o
publico a entrar numa performance que se acolhe em dois bairros disfarçados de
detalhes que complementam cada travessa, mudam o ambiente e fazem as casas irem
esquecendo/lembrando a composição do lugar junto aos quintais invisíveis que
existe atrás de cada uma.
No passeio, os performers buscam descobrir o
sentido pertencente a esse chão de terra batida de asfalto, que se configura
por imagens que projetam um movimento inverso do tempo, interferindo no
comportamento da cidade que modifica o cotidiano num passeio de lembranças
permeadas por imagens do século passado que influenciam na cultura presente.
Nesse movimento de linguagens a transformação visual carregada de lembranças,
apresenta a cidade composta em dois tempos que se modificam durante a
apresentação.
Os movimentos entram numa sintonia entre
vídeo e sons frenéticos que colocam o publico diante de uma imagem reproduzida
em luzes conectadas num jogo com o movimento da rua, o som do transito, a
fumaça espalhada no ar e os pedestres que alteram a percepção da realidade.
Instalação no Estúdio Reator
Diante das lembranças e da pesquisa pelos
bairros, o publico também poderá conferir as histórias e o trabalho através da
“Instalação das Lembranças” que ficará em exposição durante o período das
apresentações no espaço do Estúdio Reator das 14h às 19h. A memória da
instalação foi construída a partir de histórias da família Lima de Queiroz que
procura mostrar um pouco da mudança da travessa 14 de abril entre imagens,
vídeos e sons que reproduzem o movimento urbano, contado também por moradores e
trabalhadores locais,que observam todo o fluxo entre seus afazeres, diante da
transformação dos bairros,entrando numa convergência de luz e imagens que
modificam o antigo, e ressalta o novo e a visão contemporânea de Belém.
A instalação também traz trabalhos realizados
pelo Estúdio Reator que há 6 anos experimenta e desenvolve hibridismos nas linguagens
audiovisual, teatro, dança, música, fotografia e vídeo envolvendo tudo com a performance,que
mostram novas possibilidades de um fazer artístico. Levando o público a
conhecer e perceber na memória desse espaço, a vida imitando a arte.
Isso aqui não existe. É apenas uma metáfora do corpo, da imaginação uniforme das palavras. De um tempo perdido nesse esquecimento de uma leitura em imagem codificada pelo pensamento.
Adaptação do texto ‘‘Ubu rei’’ de Alfred Jerry: Cia Imundas de Teatro
Direção:
Marcelo
Andrade
Assistência de Direção:
Bruno
Rangel
°1 ATO - CENA 1
Conjunto de mães Ubu
com irrigadores atirando água e elementos de cena que retratem o mundo sexual.
(Coleiras, chicotes, vibradores e etc.) Sequência de movimentos que se adaptam
dependendo da Mãe Ubu que esteja em evidência.
Finalmente achei um
abrigo.
Atravessar a Polónia em quatro dias de ponta a ponta!
o palatino Giron.
Atravesso o rio a nado, esperando cansar meus
perseguidores.
sufocada por um círculo
Consigo finalmente refugiar-me aqui.
Ah! Estou morta de cansaço e de frio.
Roubei dele muita pataca.
E quem quiser que vá buscar.
(Música final do prólogo, faxina, bagunça e show das Imundas)
I(Mundo) Ubu, segundo espetáculo do coletivo, é uma livre adaptação da obra Ubu Rei, escrito em 1888 pelo dramaturgo Francês Alfred Jarry, como paródia à boçalidade e aspecto grotesco do seu professor de física. Ubu Rei é uma obra inaugural e prenunciadora do novo teatro do século XX. Influenciaria decisivamente movimentos artísticos e de pensamento como o Dadaísmo, o Surrealismo e o Teatro do Absurdo. A peça seria mais tarde reescrita por Jarry e estreada em Paris, em 1896, em ambiente de grande polémica. A ação se passa na Polónia, ou seja, em lugar nenhum, como o próprio Jarry afirmou na apresentação da peça. Ubu, personagem monstruoso, despótico, corrupto e sem escrúpulos, assassina o rei Venceslau e usurpa o trono da Polónia. Exercendo o poder de forma brutal e sanguinária, ao longo de uma sucessão de episódios do mais puro absurdo, a sua política vai-se revelando catastrófica e Ubu, juntamente com a inseparável Mãe Ubu, acabam por fugir de barco.
A montagem paraense foca em aspectos políticos contemporâneos e na construção de cenas montadas a partir do jogo com o cotidiano grotesco que vivenciamos em tempos de MBL (Movimento Brasil Livre), discursos fascistas e escalada desenfreada da violência banalizada em noticiários da TV. Outro ponto crucial desse espetáculo é fomentar a formação de plateia na cidade de Belém consolidando o trabalho do grupo através da criação de debates sobre temas urgentes da sociedade por meio da arte teatral.
MERDRA!!!!!
(Registro em diário de bordo da criação da primeira cena)