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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Fuga

O blog é uma extensão de mim; um plano de consistência para as minhas ideias, ações, pensamentos, escrita; um ponto de fuga que discorre das sensações que gritam no interior. É um espaço que muda as coisas de lugar; coloca as ideias e a prática em organização. Comunica a forma de organicidade, mostra o conteúdo da essência, ilustra a ideia de um devir. 



segunda-feira, 30 de março de 2015

Congratulações

Hoje o blog completou quatro anos de existência e eu relembrei dentro de um flash tudo que aconteceu de lá pra cá. Aqui foi o espaço onde decidi que a minha vida seria mais diferente. Bom, aqui eu teria a minha imaginação em processo de construção teatral. O teatro entrou na minha vida num momento tão foda que agradeço tanto por ele ter me escolhido. Não tinha tantas expectativas em transbordar através do Corpo Palavra e decifrar o que acontece comigo durante os dias. Fico vendo que aprendi bastante coisa que me deixam a vontade em compartilha-las. Modifico o mundo em relação a mim. Meu corpo se transforma em palavras e as palavras são o meu corpo em construção. Aqui respiro, piso, voo, eternizo. Fico no plano baixo, médio e alto. Mantenho foco e sigo caminhando. Ando de costa, de lado, deitado, rastejando. Tenho a minha vida de cabeça pra baixo. Corro e percorro por todo o espaço. Minha voz é aguda-grossa-fina, é musical. Silêncio que modifica o universo. É uma pesquisa e auto avaliação. Às vezes sumo, tenho saco dessa pessoa que vos escreve. Me transformo em todos os elementos, objetos, seres e palavras. Evaporo choros, dores e gritos calados. Sou o ser do outro lado da tela que está lendo. Sou um coletivo que divaga em vários pensamentos ao mesmo tempo. Fiz um transplante imaginário onde minhas mãos são cenografia e meus pés são platôs.
Por aqui também conheci um processo importantíssimo chamado “Dramaturgia Pessoal” e um mundo em que sempre fiz parte. Revivi gerações e percorri o espaço. Me mantive em pé. Resistir. Joguei pra cima todas as questões. Mudei. Compreendi mandamentos e traduzir a realidade. Aqui me apresentei como homem de teatro. Tenho o construir nas minhas mãos, o silêncio como entendimento e a vivencia como esperança. Me relacionei com autores que compartilharam a mesma sintonia de vida na que divago. Vivenciei na rua, na caixa preta, espaço experimental e no meu intimo. Só para ter o outro olhar. Atuo em qualquer parte. Performo entre paredes a céu aberto. Reconto histórias, me perco no processo, paro de funcionar. Tento fazer alguma coisa de útil na minha vida. Faço arte. Cresço. Evoluo. Prossigo. Avanço. Conquisto.
Estou fechando um ciclo e iniciando outro. Carrego a minha mochila. Topo. Tudo bagunça. Volto e recomeço. Descanso o corpo para a mente poder acompanhar. Respiro, solto sufoco. Amo, renasço. O teatro sempre me mostra um bom ponto para recomeçar e descobrir como é que se conquista. Penso muita coisa, quase tudo. E o que me sobra no pensamento compartilho para os outros terem um pouco de mim. Aqui existe o meu caminho, as minhas ideias, minhas histórias, o meu ego, vaidade, coragem. Há uma liberdade tão grande. Ainda há muita coisa para acontecer. Isso só é uma atualização em resposta ao meu ponto de partida. Será que vou fechar mais um ciclo daqui a quatro anos e fazer outra postagem? Haha!
Teatro é corpo, movimento único dilacerado. Parado num pequeno silêncio onde o mínimo te toca. É uma experiência nova a cada momento. Nem passava pela minha mente, mas escolhi esse blog como trabalho de TCC. Ele esteve sempre aqui registrando o que venho fazendo. Ficava observando-o mesmo sem escrever e me interessei em iniciar uma pesquisa com ele. Corpo Palavra. A ideia do nome surgiu a partir do filme “Nome Próprio”, onde a personagem também tinha uma relação pessoal com o blog.
Aqui posso dizer de fato que estou pronto pro que pode acontecer. Aprendi um bocado de coisas legais. Tenho na minha mochila sonhos, vontades de me aventurar e fazer o que me dá prazer. Por mais que eu escape e o momento me sufoque, acharei lugar para respirar e encontrar a liberdade de viver o que realmente sou. Por enquanto vou iniciando uma pesquisa de encenador, ator, iluminador, maquiador, figurinista. Estou sempre em processo de mudança e a criação desse blog foi a melhor coisa que pode ter acontecido. Estou saindo da Escola de Teatro e levando isso como a coisa mais importante que me aconteceu dentro desse espaço mágico. O que vier encaro. Estou preparado. Daqui a pouco o dia termina e começa o amanhã. Deixa o blog aqui se alimentando das minhas coisas. Valeu por existir. Agradeço ao Teatro, a profª Wlad Lima, ao Blogger e a pessoa mais importante da vida que faz tudo isso aqui funcionar. Evoé.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Liberté

O corpo é ausente, figura imaginativa e física. Energia que se move perante o espaço. Dilatação de vontades. União do pensar, sentir e querer. Sentimentos que ecoam no mundo externo. É dançar, atuar; é presença. Autoconhecimento. É a linha embolada na palma da mão. Corpo é arte, é vida. É tudo o que podemos a partir do que sentimos. É mental e físico. São inúmeras possibilidades que podemos descobrir.  

sábado, 11 de outubro de 2014

Barrela – uma leitura varisteira de Plinio Marcos

Crítica teatral do espetáculo Barrela dirigida por Maycon Douglas, Grupo Os Varisteiros de Teatro


“Que puta zona é essa?! Já não se pode dormir aqui não?!” Disse Bereco ao ser acordado pelo bando que zoava com Portuga. Barrela traz toda violência ocorrida dentro de uma cela de penitenciaria. Mostrando a realidade existente nos sistemas penitenciários do Brasil. O horror, a dor, a desumanidade, revolta e pesadelo narram uma noite entre cinco atores presidiários que mostram a dramaturgia de Plinio Marcos com um corpo expressivo no contexto marginalizado. O espaço com panadas pretas e uma luz baixa, coloca o expectador a sentar no chão como se fosse um dos detentos daquele buraco fudido de merda. Em cena, um guarda rodeia os cincos detentos balançando um molho de chave e delimitando a relação artista-espectador. Somente um espectador rebelde se desvia para entrar em cena com Bereco, Fumaça, Portuga, Tirica e o louco.
A peça que foi censurada em 1958, ganha montagem pelo grupo Os Varisteiros que encerraram a segunda temporada com maior destaque na mídia local. Barrela coloca o publico como testemunha da violência penitenciaria. Cenas de estrupo com um garoto que passa apenas uma noite dentro da cela e assassinato são apresentadas com desespero e agonia, onde o espectador se junta ao bando de presos num espaço enfestado de suor, respirando e sentido a quentura daquele ambiente. Quase como uma tortura, o olhar sensível é pouco notado na peça. Mas pode ser visto na fraqueza de Bereco, que por pressão dos outros da cela, quebra a regra do comando puxando um fumo e deixando de evitar o estupro do garoto.
A peça dirigida por Maycon Douglas tem seus autos e baixos, e a linha que narra as cenas, vai dando volume ao espetáculo a cada ação. Quando somos colocados a imaginar o que vai acontecer, a tensão se diminui deixando a expectativa pra depois. Assistimos esperando algo incrível aparecer, esperando o momento corta o pensamento e irmos de encontro com a peça, tal qual pensamento de Plínio:
Escrevi em forma de diálogo, em forma de espetáculo de teatro, que era o que eu mais conhecia, mas não me preocupei com os erros de português, nem com as palavras. Imaginei o que se passara no xadrez antes, durante e depois de o garoto entrar, coisas que eu conhecia bem de tanto escutar histórias na boca da malandragem. E dei o nome de Barrela, que é a borra que sobra do sabão de cinzas e que, na época, era a gíria que se usava para curra.  (ver site oficial com obra de Plínio Marcos  http://www.pliniomarcos.com/dados/barrela.htm)

Estamos à mercê da violência, cumplices das mortes estampadas nas carpas de jornais, integrados a um contexto de informação digital impetuoso. Mas o que leva o publico a se impressionar com a apresentação? A peça montada pelo grupo Os Varisteiros, dão forma a linguagem estupida Pliniana. Atuada vigorosamente com sangue no olho e mostrando situações violentas mais do que atuais.
Barrela é a quarta montagem do grupo, e foi sentida na pele a exaustão do corpo. A construção da peça foi realizada ao longo de oito meses. Ódio, porrada, mudança de estado de corpo, foram dando tensão a montagem que pede trabalho e construção coletiva. Proposta ousada em encarar a dramaturgia de Plinio Marcos, que busca na literatura marginal um dialogo forte. Uma boa releitura da obra pelos varisteiros que avançam no que o autor escreveu, sobre um corpo dilatado além das palavras, como fala Roland Barthes:
Ora, tenho a convicção de que uma teoria da leitura (dessa leitura que sempre foi a parente pobre da criação literária) é absolutamente tributária de uma teoria da escrita: ler é reencontrar – no nível do corpo, e não no da consciência – como aquilo foi escrito: é colocar-se na produção, não no produto; pode-se encetar esse movimento de consciência, quer de maneira bastante clássica, revivendo com prazer a poética da obra, quer de maneira mais moderna, retirando de si toda espécie de censura e deixando ir o texto em todos os seus transbordamentos semânticos e simbólicos. (BARTHES, 2004)

05/10/2014

Bernard Freire

domingo, 20 de julho de 2014

Espetáculo EM CAIXAS

Em Caixas, um lugar onde o meu eu estaria presente sem ser minha pessoa. Um ambiente novo a partir do olhar da máscara me levava a encontrar o desconhecido, um espaço novo onde o meu corpo falava para o público. Me encontrei diante de um trabalho que me tiraria da zona de conforto e me colocaria num lugar de trabalho da construção onde o que poderia vim era o que ia estabelecer a minha própria dramaturgia. Não estava preso a nada, tinha liberdade para criar e isso fez com que essa liberdade fosse o caminho difícil de chegar ao resultado.

                      

A máscara descobria um novo ambiente, e por trás dela a vontade era de disfarçar o que me prendia na realidade. Tinha o meu trabalho corporal junto à máscara que me reinventava a cada passada de cena, me trazendo sentimentos que lutava para não repetir o que ia descobrindo. Era um trabalho de busca da pesquisa onde o meu corpo se transformava em outros corpos para não me sentir só. Trazia da minha imaginação figuras para adaptar no processo de criação. Isso contribuiu já que não tinha texto, e a linguagem estava na imagem da cena. Relacionei essa construção com Antonin Artaud, onde ele critica em seu primeiro manifesto do Teatro da Crueldade a sujeição do teatro ao texto: “Não representaremos obras escritas mas em torno de temas, fatos ou obras comuns, tentaremos uma encenação direta.” (ARTAUD, 1999:112)





Essa construção provocou inquietação, pois o que eu apresentava no processo não estava relacionado com o que a máscara pedia. O trabalho estava no corpo, e a dificuldade de colocar uma máscara requer um novo olhar. Não se tinha texto, mas se tinha desgaste físico, dúvidas, impaciência. Minha vontade era de apresentar qualquer proposta, mas mesmo assim o “qualquer” exigia uma explicação razoável. Procurei colocar o que aprendi durante o curso e fui encontrando o caminho da construção de uma cena. Novamente a leitura de Artaud e deixou claro essa vivencia: “Com isso, renunciaremos à superstição teatral do texto e a ditadura do escritor. E assim encontraremos o velho espetáculo popular traduzido e sentido diretamente pelo espírito, sem as deformações da linguagem e os escolhos do discurso e das palavras. (ARTAUD, 1999:145)








Substituindo o texto, passei a falar através do corpo a minha vivencia de dois anos no curso técnico. Tirava das emoções e imaginava através do olhar da máscara uma despedida. Quando o professor Marton Maués mandava colocar a máscara e apresentar para turma, olhava a máscara e representava através do sentimento o que a máscara pedia. Apesar da tranquilidade que sentia, ainda tinha angustia que me fazia buscar onde eu poderia chegar. Passei a colocar isso na folha como forma do que o olhar atrás da máscara dizia:

Ansiedade em Encontrar-se

BUM! BUM! BUM!...

A projeção do mundo se expandir dentro de mim, são bombas estourando. As partículas da fumaça me empurram para um poço de máscaras. Os passos se divertem com a coreografia do deslizar no espaço, olho com o som dos movimentos do tempo, olho com o sentir do respirar. Sou guardado com medo. Tudo é vulto, imediação uniforme, forma contínua ausente de princípio. Torço para chover e rasgar a camada que me cobre. Corro.




      amar a esquiva                      
              
                                                             naufragar cercado por paraísos idílicos
             

                        socos ao vento                     

                                                                                           humano transvestidos de rabisco
        parágrafos arranhados, sufocantes                  
                                                                                               complexo  transgênico      


AAhhhhhh!!!!!!!!!                       
                                                                     
               metamorfose composta de estágios lentos e distintos.


Uma nesga de luz invade a fresta da caixa e se esparrama esquálida pelo corpo retraído. O silencio sufoca a raiz interior. Abro.


Como o tempo ia passando e o resultado tinha que aparecer, fixei a atenção somente ao olhar da máscara e não o sentimento que tinha atrás dela. Com isso, o que estava me sufocando foi escapando.
























A casa do joão

Apresentação do exercício pratico baseado no texto da casa do joão. Ficou legalzinho. O profº Paulo Santana ainda fez uma participação com seu senso critico.

 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Verdadeira História do Woody Cowboy



Resultado da disciplina Teatro de Formas Animadas, ministrada pelo Prof. Aníbal Pacha na Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará - EDTUFPA.
O trabalho final foi o uso de manipulação direta com o boneco.
Atores Manipuladores: Bernard Freire, Liuz Gerard, Leonardo Andrade, Dheyvyth Guylhermeth.