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sábado, 19 de janeiro de 2019

Reflexão

Isso aqui não existe. É apenas uma metáfora do corpo, da imaginação uniforme das palavras. De um tempo perdido nesse esquecimento de uma leitura em imagem codificada pelo pensamento.

By Bernard Freire

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2.1 Os enigmas na criação dos espetáculos “Reator Eterno” e “I(mundo) Ubu”


Adaptação do texto ‘‘Ubu rei’’ de Alfred Jerry:
Cia Imundas de Teatro
Direção:
Marcelo Andrade
Assistência de Direção:
Bruno Rangel

°1 ATO - CENA 1
Conjunto de mães Ubu com irrigadores atirando água e elementos de cena que retratem o mundo sexual. (Coleiras, chicotes, vibradores e etc.) Sequência de movimentos que se adaptam dependendo da Mãe Ubu que esteja em evidência.
Finalmente achei um abrigo. 
Atravessar a Polónia em quatro dias de ponta a ponta! 
o palatino Giron.

Atravesso o rio a nado, esperando cansar meus perseguidores. 
sufocada por um círculo

Consigo finalmente refugiar-me aqui.

Ah! Estou morta de cansaço e de frio. 
Roubei dele muita pataca.  
E quem quiser que vá buscar.


(Música final do prólogo, faxina, bagunça e show das Imundas) 

I(Mundo) Ubu, segundo espetáculo do coletivo, é uma livre adaptação da obra Ubu Rei, escrito em 1888 pelo dramaturgo Francês Alfred Jarry, como paródia à boçalidade e aspecto grotesco do seu professor de física. Ubu Rei é uma obra inaugural e prenunciadora do novo teatro do século XX. Influenciaria decisivamente movimentos artísticos e de pensamento como o Dadaísmo, o Surrealismo e o Teatro do Absurdo. A peça seria mais tarde reescrita por Jarry e estreada em Paris, em 1896, em ambiente de grande polémica. A ação se passa na Polónia, ou seja, em lugar nenhum, como o próprio Jarry afirmou na apresentação da peça. Ubu, personagem monstruoso, despótico, corrupto e sem escrúpulos, assassina o rei Venceslau e usurpa o trono da Polónia. Exercendo o poder de forma brutal e sanguinária, ao longo de uma sucessão de episódios do mais puro absurdo, a sua política vai-se revelando catastrófica e Ubu, juntamente com a inseparável Mãe Ubu, acabam por fugir de barco. 

A montagem paraense foca em aspectos políticos contemporâneos e na construção de cenas montadas a partir do jogo com o cotidiano grotesco que vivenciamos em tempos de MBL (Movimento Brasil Livre), discursos fascistas e escalada desenfreada da violência banalizada em noticiários da TV.  Outro ponto crucial desse espetáculo é fomentar a formação de plateia na cidade de Belém consolidando o trabalho do grupo através da criação de debates sobre temas urgentes da sociedade por meio da arte teatral.


MERDRA!!!!!

(Registro em diário de bordo da criação da primeira cena)

(Imagem referencia para a criação da segunda cena - animals revenge on humans)


(Trailer referente a segunda cena: o jantar)

(Figurinos feitos a partir de lingerie tons nude)
(Logomarca criada pelo arista Aj Takashi)

IMAGENS


(Coletivo Imundas de Teatro)









(Fotos: Kauê Barp)

"Venham pegar o ouro que pai Ubu tem pra lhes oferecer
Peguem não tenham medo, mas não se esqueçam de fazer por merecer!!" 🎶🎶

(Gravação para o programa Circuito da TV Cultura PA)

(Tease Imundas rolezeirias)



(Espetáculo I(MUNDO) UBU completo)

(Cartaz de divulgação do espetáculo feito por Paulo Evander)

CLIPPING
(Portal ORM – 10 de novembro de 2017)





Criticas sobre o espetáculo I(mundo) Ubu



terça-feira, 20 de novembro de 2018

Palavra-corpo e o livro de artista - Capitulo I


Cada corpo individual torna-se parte integrante de um imenso hipercorpo híbrido e mundializado. Fazendo eco ao hipercórtex que expande hoje seus axônios pelas redes digitais do planeta, o hipercorpo da humanidade estende seus tecidos quiméricos entre as epidermes, entre as espécies, para além das fronteiras e dos oceanos, de uma margem a outra do rio da vida. (Pierre Lévy, 1996)
Na confluência entre os dois campos existe uma energia orgânica, física e eletrônica que fricciona a pesquisa, ampliando as informações e buscando compreender algo. O blog palavra-corpo é apenas uma plataforma dos registros, um diário de bordo virtual que ultrapassa a particularidade e a permanência da idéia em único plano. Os registros se propagam, ampliam, compreende um assunto carregando outra informação do mesmo. A escrita leva para outras margens o entendimento do trabalho, podendo se conectar com diversos tipos de conhecimento do que ela mostra. A identidade se modifica, cresce, colhe inúmeras interferências que o campo virtual expande e prover mudanças no caminho da identificação. O dialogo é universal, foge para outros planos além do lugar em que se apresenta.

Nessa interação é importante observar o movimento que a comunicação virtual rege entre as dimensões que propagam o pensamento humano, desbravando a cultura existente do mundo a partir da raiz de sua identidade, compartilhando sentidos e experiências de vida que causa estranhamento, semelhanças e identificações com o crescimento de informações interculturais. Ela lança a partir do espaço local a imagem que propaga por inúmeras redes o nosso próprio entendimento de visão de mundo, transformando a partir da web o comportamento que se mostra na humanidade. No palavra-corpo o objetivo é pôr em análises críticas, as postagens e seus desdobramentos na perspectiva de novas criações, mostrando a comunicação teatral, performática e artística em rede. O Blog é um dispositivo passível de suportar o desenho do plano de consistência onde está organizada uma trajetória de formação de um artista-professor-pesquisador, no caso, a minha própria formação.

É nesse campo hipermídiatico que trago para ilustrar essa leitura duas referencia que dialogam com o pensamento que estou inserindo na pesquisa, a primeira é a leitura da Lucia Leão no livro O labirinto da hipermídia: arquitetura e navegação no ciberespaço (2005), através da imagem de um labirinto que explica a multidimensionalidade desse espaço virtual: “um sem-número de textos, imagens e sons, em diversas formatações e dinâmicas, interligados em caminhos potenciais que dependem da interação com aquele que lê, ouve ou vê, para constituir ou completar o seu sentido. O labirinto existe como potência e também como experiência, naquele percurso desordenado e virtualmente infinito, escolhido e definido a cada bifurcação”. A segunda e a cena do labirinto no filme Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas de Tim Burton, onde o personagem Willian desmitifica o misterioso labirinto de teias de aranha para encontrar a saída:



(“Quanto mais difícil algo é, mais recompensador é no final”. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, 2004. Direção: Tim Burton)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Palavra-corpo: uma cartografia fragmentária, enigmas do livro de artista na construção dos espetáculos

Imersão cartográfica da escrita do blog sobre 3 espetáculos de teatro:

 Animalismo (a nova ordem mundial) - Imundas de Teatro




Reator Eterno - Estúdio Reator





I(MUNDO) UBU - Imundas de Teatro





quinta-feira, 28 de junho de 2018

Dramaturgias de Hilda Hislt são relançadas e ela será homenageada na 16ª Flip


(Hilda Hilst. Foto: Juvenal Pereira / Reprodução)

A obra teatral da poeta Hilda Hilst chega as livrarias em dois volumes lançados pela editora L&PM, que esse ano presenteia os leitores com os excelentes registros da maior dramaturga brasileira. Foram oito peças teatrais escritas entre 1967 e 1969 que marcaram um momento febril e de intensa produção artística de uma escritora em plena ditadura militar, que registrou em ânsias reais uma dramaturgia que toda cena teatral deveria interpretar. As peças de Hislt ultrapassam a leitura formal de um espetáculo, dirige enlouquecidamente uma transição pelo olhar do personagem que expressa o seu sentimento de escritora.

Com ensaio biobibliográfico da escritora Leusa Araújo, o primeiro volume já publicado, traz as peças: O verdugo, As aves da noite,A morte do patriarca e O visitante, que mostra um cenário poético teatral em meio a um conflito familiar entre mãe e filha que disfarçam uma personalidade entre diálogos de cena que evidenciam o posicionamentos da relação familiar. O segundo volume que sairá no segundo semestre, traz as peças: O auto da barca de Camiri, A empresa, O novo sistema e O rato no muro, cuja dramaturgia percorre por pensamentos suspendidos e vivenciados numa casa onde habitam dez mulheres, identificadas somente pelas iniciais de A a I que passam por uma não identificação das personagens e palavras ditas por mulheres que costuram a dramaturgia. 

Seguindo essa fluidez, o texto de Hislt começa a dar uma virada quando transita de uma escrita literária para escrita teatral que surge diante de uma situação de resistência artística no país. Suas peças tornam-se uma mistura do prazer libertário com a poesia pensante exaltada pela consciência das personagens. Destaca-se nos textos,o posicionamento em palavras que a escritora determina na hora de criar seus personagens sem estruturas psicológicas, analisando um desdobramento dos pensamentos que transitam entre o espaço/tempo para a construção da dramaturgia que segue o ritmo da cena vivenciada. Toda a poesia de Hilst é jorrada através de um grito perturbante que foram manifestados em momentos solitários de uma escritora que escancara a própria vida em textos cênicos. Ideias como a morte, Deus, e amor são descritos em meios aos devaneios que surgem diante da criação e do fazer ininterrupto da ação.

(Ilustração de Laura Lannes para a versão em graphic novel de ‘A obscena senhora D’ - Divulgação)

Há nas peças um afogamento em palavras que condiz com uma escrita real por de trás da panada, ela percorre por todo o espaço mantendo a energia que se desdobra em cenas grotescas e rudes aos pensamentos da dramaturga. Ela instigava, desafiava e determina por meio das palavras uma teatrologia observada no acontecimento desse tempo. Os diálogos mantinham a mesma hierarquia onde os personagens ultrapassavam as fronteiras do significado da peça, as cenas se davam em todos os lugares sustentadas pela presença de deus ou do diabo. 

Esse ano a escritora Hilda Hilst será homenageada na 16ª Festa Literária de Paraty (Flip), que acontece de 25 a 29 de julho apresentando a trajetória de uma mulher que não media as palavras. A Feira irá mostrar o olhar artístico de uma escritora contemporânea que registrava um sufocamento da realidade vivenciada no plano ficcional, conectadas aos acontecimentos de sua poética. 

As obras de Hilda Hilst procuram ultrapassar o sentido de nossas vidas, da realidade interpretada por seres que se desgastam em cada lugar. É uma mistura de sensações da escritora, das personagens e de toda dramaturgia que observa o leitor em sua própria identificação. Hislt, sabia contar as palavras sem as máscaras que as encobre, desnuda as letras e constrói uma imaginação que triangula entre escritora, obra e leitor; dilacerando o corpo diante de uma encenação que o teatro deve buscar em suas palavras. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Caderno


Projeto de Pesquisa: https://prezi.com/1t2ss8r-3uwv/present/?auth_key=h1kurhb&follow=xnht8dl5djdj

Cartografando o Processo de Criação:
Se dá na imaginação, Silêncio para a mente poder compreender, lugar calmo, abismo, fim do mundo, todas as coisas que me deixam em criação, escrever/fotografar, anotar/filmar, ler, gritar, agir, atuar, riscar, propor outro dialogo com o mundo, contar o problema pra alguém.

Incidentes: 
3) 

Referencias

BARTHES, Roland. Incidentes. São Paulo : Martins Fontes, 2004. (Coleção Roland Barthes)

BERGSON. Henri. A intuição como método . In: Memória e vida. São Paulo, Martins Fontes, 2006.

COLLA, Ana Cristina. Caminhante, não há caminhos. Só rastros. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2013. 

DELEUZE, Gilles. O ato criador . In: Dois regimes de Loucos. São Paulo: 2016. Ed. 34.

DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 1 / Gilles Deleuze, Félix Guatarri; tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2a edição). 128 p. 

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência / Pierre Lévy; tradução de Carlos Irineu da Costa. – Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993, 208 p. (Coleção TRANS) 

LIMA, Wladilene de Sousa. A nascente da rede teatro d@ floresta. PROJETO DA REDE TEATRO D@ FLORESTA, 23 jun. 2009. Disponível em: http://teatrodafloresta.blogspot.com.br/2009/06/blogs-dos-artistas-da-cena-da-rede.html Aceso em: 04/10/ 2016. 

MATUCK, Arthur; ANTONIO, Jorge Luiz. Arte Mídia e cultura digital / Arthur Matuck, Jorge Luiz Antonio [organizadores]. - São Paulo: Musa Editora, 2008. 

SANTAELLA, Lúcia. Por que as comunicações e as artes estão convergindo? São Paulo: Paulus, 2005. 

TELLES, Narciso. Pesquisa em artes cênicas: textos e temas / Narciso Telles, organizador. – Rio de Janeiro: E-papers, 2012. 


PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virginia; DA ESCÓSSIA, Liliana (Org.). Pista do método da cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. 

NIETZSCHE, Friedrich. Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral . imediata.org/asav/nietzsche_verdade_mentira.pdf-tradução de Noeli Correia